Jornal do Brasil
TEGUCIGALPA - O candidato da oposição conservadora, Porfirio Pepe Lobo, do Partido Nacional, venceu com facilidade a eleição presidencial realizada em Honduras no domingo com quase 56% dos votos. Segundo as autoridades, mais de 60% do eleitorado compareceu às urnas, apesar de campanhas por abstenção promovidas por simpatizantes do presidente deposto Manuel Zelaya, que defende a anulação do pleito. Os números oficiais falam em abstenção de menos de 40%, porcentagem menor do que os 45% registrados em 2005.
A partir de janeiro, Lobo terá a difícil tarefa de conciliar uma sociedade dividida depois do golpe de Estado que depôs Zelaya e de convencer os países que não reconheceram a votação de domingo, organizada pelo governo golpista, para que Honduras volte a ser incluída na comunidade de nações democráticas, da qual foi expulsa.
Aqui não há vencedores ou vencidos. Ganhou o povo hondurenho disse Lobo, durante um comício para celebrar a vitória.
O novo presidente eleito pediu para que seja iniciado um diálogo com o movimento de oposição e resistência ao governo golpista para iniciar um processo de reconciliação de toda a família hondurenha .
Lobo foi parabenizado pelo seu principal rival, o liberal Elvin Santos, que recebeu 38% dos votos.
Ao presidente eleito, dizemos: conte conosco declarou Santos, ex-vice de Zelaya que renunciou ao cargo para se candidatar.
Polarização
A América Latina permanece dividida quanto à questão das eleições em Honduras, após uma minoria de países, como Costa Rica, Panamá, Colômbia e Peru se alinharem aos Estados Unidos e reconhecerem o resultado da votação, enquanto outros, liderados por Brasil e Argentina, continuam condenando o processo eleitoral organizado pelo governo golpista. Segunda-feira, os governos de Equador e Paraguai se somaram às declarações feitas no domingo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele assegurou que louvar eleições organizadas por golpistas daria luz verde a outros aventureiros e geraria instabilidade política na região.
A polêmica envolvendo o pleito no país centro-americano foi tema principal da abertura da 19ª Cúpula Ibero-americana, que reúne autoridades de 22 países na cidade portuguesa de Estoril. O governo de Portugal espera que o evento sirva para estabelecer uma posição comum sobre as eleições.
O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, ex-mediador da crise política hondurenha, argumentou que o comparecimento dos hondurenhos às urnas demonstrou a vontade do país de virar a página do triste golpe de Estado .
A Costa Rica reconhece as eleições. Eleições na América Latina não são perfeitas, mas a informação que tenho de Tegucigalpa é que tudo ocorreu dentro da normalidade disse Arias.
Segundo o costarriquenho, o fato de as eleições hondurenhas terem sido conduzidas pelo governo golpista não as invalida. Para justificar tal argumento, Arias citou processos eleitorais realizados por ditaduras latino-americanas que levaram alguns países à transição democrática, incluindo o Brasil, com a vitória de Tancredo Neves no pleito ocorrido em 1985.
O premier espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, pediu que seja feito um acordo entre Micheletti e Zelaya de modo a angariar o consenso latino-americano. Já Mauricio Funes, presidente de El Salvador, comentou que as eleições hondurenhas não são a solução para o problema no país e pediu que haja um restabelecimento da institucionalidade imediatamente.
Os EUA, maior parceiro comercial de Honduras, apesar de reconhecerem o resultado eleitoral de domingo, disseram que Tegucigalpa precisa dar mais passos para restaurar a democracia .