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México pede restabelecimento da ordem constitucional em Honduras

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Agência ANSA

ESTORIL - O presidente do México, Felipe Calderón, pediu hoje o restabelecimento da ordem constitucional em Honduras e lamentou que as eleições realizadas ontem no país não tenham sido monitoradas por observadores da OEA e da ONU.

Ao discursar na 19ª Cúpula Ibero-Americana, em Portugal, o presidente chamou a atenção para o risco de que a democracia sofra regressões, como no caso de Honduras.

"A democracia chegou, mas também está retrocedendo em seu caminho. A democracia em nossos povos está registrando claras regressões de caráter não democrático, e o golpe de Estado vivido em Honduras foi uma expressão muito preocupante e uma poderosa advertência para todos", ponderou.

Calderón também lamentou que as eleições realizadas ontem no país centro-americano não tenham sido monitoradas por observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU), que se negaram a enviar representantes por exigirem a restituição do presidente Manuel Zelaya, deposto em um golpe de Estado no dia 28 de junho.

Em sua intervenção, Calderón falou primeiro das eleições ocorridas no Uruguai, onde José Mujica, da coalizão governista Frente Ampla, foi escolhido presidente.

"Quero me somar à felicitação ao povo uruguaio pelas eleições celebradas ontem, e desde já parabenizar José Mujica, com quem estou certo de que colaboraremos de forma estreita", disse.

Quanto ao caso de Honduras, prosseguiu, "simplesmente reiteramos a postura de sempre do México e de vários países ibero-americanos. Nossa exigência é o restabelecimento da ordem constitucional neste país".

Em seguida, Calderón ressaltou que "a realização de eleições livres é uma condição necessária, mas não suficiente, para o restabelecimento da ordem constitucional".

"Reiteramos a exigência expressada tanto pela OEA quanto pelo Grupo do Rio, do qual o México exerce a presidência temporária, de verdadeiramente verificar o cumprimento das condições estabelecidas pela comunidade internacional, entre outras, pelos acordos de San José e de Tegucigalpa", argumentou.

As eleições realizadas ontem em Honduras, que tiveram como vencedor Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional, segundo o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), estão dividindo os governos do continente americano.

De um lado, Brasil, Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, entre outros países, afirmam que não reconhecerão o resultado do pleito por considerar ilegal sua realização sob um regime de facto surgido do golpe.

Os Estados Unidos, no entanto, acompanhados por Colômbia, Peru, Costa Rica e Panamá, creem que o apoio a um novo governo seria a melhor forma de resolver a crise instaurada em Honduras há mais de cinco meses.