Zelayistas pressionam por cumprimento de acordo em Honduras

Javier López de Lérida e Mario Naranjo, REUTERS

TEGUCIGALPA - Deputados partidários do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tentavam pressionar na segunda-feira para que o Congresso se reúna rapidamente e decida sobre a recondução do líder ao poder, ponto-chave de um acordo para pôr fim à crise decorrente do golpe militar no país.

Delegados de Zelaya e do governo de facto presidido por Roberto Micheletti chegaram a um acordo, na sexta-feira, que prevê que o Congresso deve votar se restitui o líder, uma vez que parte do Legislativo apoiou sua derrubada no dia 28 de junho por considerar que violou a Constituição para tentar sua reeleição.

Agora, resta saber quando será tomada a decisão, já que o Congresso unicameral de Honduras de 128 deputados está em recesso, enquanto os parlamentares fazem campanha para as eleições presidenciais de 29 de novembro.

Deputados próximos a Zelaya dizem que se não houver sessão nesta segunda-feira, vão convocar uma sessão extraordinária, seguindo regimento da Casa.

Entretanto, os partidários de Micheletti acreditam que votação deve ser adiada até depois das eleições.

O deputado liberal zelayista Javier Hall disse que os deputados do Partido Liberal - que conta com 62 deputados - vão se reunir nesta segunda-feira para forçar a convocação de uma sessão para decidir sobre a recondução do presidente deposto ao poder.

Rasel Tomé, assessor político de Zelaya, disse à Rádio Globo que tinha informação de que o procedimento está em andamento e que na terça-feira pode haver uma sessão.

Mas o chefe da bancada do opositor Partido Nacional, Antonio Rivera, afirmou à Reuters que até agora não há informação de uma convocação e que saberia se houvesse.

Está prevista para terça-feira a formação de uma comissão de verificação dos acordos, com a chegada dos representantes designados pela Organização dos Estados Americanos (OEA): Hilda Solis, secretária do Trabalho dos Estados Unidos e o ex-presidente chileno Ricardo Lagos.