Campanha eleitoral no Uruguai entra na reta final

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - Os candidatos às eleições presidenciais do Uruguai encerraram neste fim de semana suas campanhas sem grande entusiasmo do eleitorado, já que não há grandes diferenças entre as propostas políticas, o que fez com que o cenário dos debates se tornasse palanque para acusações mútuas.

Os candidatos José Mujica, da coalizão governista Frente Ampla, e Luis Lacalle, do oposicionista Partido Nacional, entraram na reta final de suas campanhas queimando seus últimos cartuchos para ampliar seu eleitorado, em busca principalmente dos indecisos, estimados em cerca de 8% pelas consultorias e que ainda podem definir o pleito do próximo domingo.

As pesquisas de intenção de voto não têm mostrado grandes divergências. Mujica, senador e ex-guerrilheiro tupamaro, continua à frente, mas não deve ser eleito no dia 25, já que precisaria ser escolhido por mais de 50%.

Segundo dados da Interconsult divulgados na última semana, no primeiro turno, 44% dos entrevistados disseram apoiar Mujica contra 31% dos que optaram por Lacalle. Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, foi apontado por 12% dos eleitores. Caso este prognóstico se confirme, os dois candidatos mais votados se enfrentam em um segundo turno.

Para especialistas, a atual eleição não entusiasma porque é marcada por acusações midiáticas, diferentemente da campanha de 2004, quando o atual presidente, Tabaré Vázquez, apresentava a proposta de levar a esquerda pela primeira vez ao poder.

Esta "é uma eleição mais pragmática, com uma campanha midiática pobre, baseada nos insultos mútuos, sem aquele romantismo que havia por 'não ter estado nunca no poder'", explicou a jornalista e escritora venezuelana Leila Macor à ANSA.

Autora do livro "Lamentablemente estamos bien", no qual relata com humor a visão estrangeira sobre o Uruguai, Macor considera que nesta campanha não existe o "romantismo" que havia há cinco anos.

- Quando a fantasia se torna realidade, vê-se que não era tão boa. Há muitos eleitores da Frente [Ampla] e de centro que não votariam em Mujica, mas que terminarão votando nele apenas para não votar em Lacalle, o contrário também ocorre. Estas são as eleições 'do contra' e do 'não a favor' - resumiu.

Este foi o último fim de semana de campanha antes do pleito, contudo, os candidatos ainda devem organizar outros atos nos próximos dias. A Frente Ampla encerrará sua campanha nesta semana na Avenida 18 de Julio.