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TEGUCIGALPA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse que desconfia do diálogo com o governo interino para uma saída para a crise, e pediu a abertura da embaixada brasileira, onde ele está refugiado, para receber tanto partidários quanto adversários.
Funcionários do governo provisório afirmaram que na quarta-feira - quando chega ao país uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) - será instalado um diálogo nacional, mas não deram detalhes sobre quem serão os participantes.
- Em relação ao diálogo que eles convocaram, não tenho nenhuma confiança nem credibilidade, me parece que é um jogo a mais, ao qual a comunidade internacional não deve se prestar - disse Zelaya.
- Para que esse diálogo seja efetivo preciso falar com meus opositores para encontrar o caminho da solução - acrescentou.
Zelaya foi expulso de Honduras há 100 dias, num golpe militar provocado por suas intenções de alterar a Constituição de modo a poder disputar um novo mandato, o que irritou empresários, políticos e juízes conservadores.
Ele voltou clandestinamente do exílio há duas semanas, e desde então se abrigou na embaixada do Brasil, de onde faz campanha para retornar ao poder. Ele disse que pretende ficar o mínimo possível na embaixada, onde estão também sua mulher e dezenas de seguidores. O prédio está cercado por policiais e militares.
Na segunda-feira, o presidente interino Roberto Micheletti revogou um decreto que restringia as liberdades civis, o que elevou as expectativas de um possível diálogo. Durante sua vigência, o governo fechou dois veículos de comunicação simpáticos ao governo deposto.
- O decreto foi uma armadilha, nada mais, para cancelar os meios de comunicação que são opositores ao regime. Mesmo com a revogação, as autoridades não vão abrir esses meios de comunicação - acrescentou Zelaya.
Micheletti sugere que uma possível solução para a crise seria a renúncia de ambos à presidência, com a nomeação de um presidente interino. Zelaya rejeitou essa saída.
- Quem decide quem é o presidente de um país é a maioria do povo, o sr. Micheletti com que propriedade fala em nome do povo, quando foi uma cúpula militar que o colocou no cargo - afirmou.
Zelaya reiterou seu apoio à proposta do mediador costarriquenho Oscar Arias, que prevê a restituição de Zelaya na presidência e a formação de um governo de unidade nacional.
O presidente deposto disse que uma condição para a aceitação do plano de Arias seria que a assinatura se desse na embaixada brasileira, onde afirmou se sentir a salvo das ameaças de morte que teria recebido.