Agência ANSA
MADRI - O ex-militar argentino Juan Alberto Poch negou hoje ter participado dos 'voos da morte' com os quais a ditadura do país (1976-1983) eliminava presos políticos atirando-os no Rio da Prata a partir de aviões em movimento.
Poch assegurou que não teve "nada a ver" com os crimes de que é acusado porque 'nunca serviu' na Escola de Mecânica da Armada (Esma), localizada em Buenos Aires, e de onde partiam as aeronaves que realizavam tais voos.
O ex-militar, que tem dupla cidadania, argentina e holandesa, foi ouvido hoje pelo juiz da Audiência Nacional da Espanha (a mais alta corte do país europeu), Eloy Velazco.
Velazco ratificou a ordem de prisão expedida pelo Juizado de Instrução de Quart de Poblet, em Valência, dando andamento, assim, à tramitação do pedido de extradição apresentado pela Justiça argentina.
Poch, de 57 anos, foi preso em 22 de setembro em Valência. Ele trabalhava na companhia aérea holandesa Transvia e foi detido no aeroporto de Manises enquanto comandava um avião que iria para Amsterdã.
O advogado de defesa, Ignácio Peláez, explicou que o ex-militar negou a denúncia que o levou à prisão, feita a autoridades holandesas. De acordo com a denúncia, Poch se vangloriou de ter participado dos "voos da morte" durante uma refeição em Bali, na Indonésia.
Peláez disse ao juiz que o ex-militar "é contra o terrorismo e contra o terrorismo de Estado", acrescentando que as palavras do piloto foram "mal interpretadas" pelas pessoas presentes à refeição.
De acordo com o governo do país sul-americano, mais de 11 mil pessoas foram mortas ou desapareceram nos chamados "voos da morte". No total, calcula-se que nos sete anos da ditadura militar argentina mais de 30 mil homens e mulheres tenham morrido e outros oito mil continuem desaparecidos.