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PARIS - Uma tempestade política com acusações de antissemitismo e de censura agitava a eleição do novo diretor-geral da Unesco nesta quinta-feira. A polêmica centrava-se em declarações passadas de um dos candidatos de que queimaria livros israelenses.
A candidatura do ministro egípcio da Cultura, Farouk Hosni, para a agência de cultura da Organização das Nações Unidas (ONU) causou a ira de intelectuais franceses e organizações judaicas, que receberam o apoio de ativistas pela liberdade de imprensa antes da primeira rodada de votações, nesta quinta.
Hosni já pediu desculpas neste ano pelos comentários realizados no ano passado, e alguns ativistas proeminentes como o caçador de nazistas Serge Klarsferd afirmaram ter aceitado as desculpas.
Mas outros ativistas acusam Hosni de favorecer a censura e violar a liberdade de imprensa no Egito, e pressionam membros da Unesco a não votar nele.
- Vamos queimar esse livros; se houver algum, eu mesmo vou queimá-lo diante de vocês - disse Hosni a um membro do Parlamento que lhe perguntou sobre a presença de livros israelenses em bibliotecas egípcias no ano passado.
- Hosni é ministro da Cultura de um país que não respeita a liberdade de expressão, especialmente a liberdade de expressão na internet - disse Jean-François Julliard, secretário-geral da organização Repórteres Sem Fronteiras.