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BRUXELAS - O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, pediu nesta quarta-feira "um diálogo inédito e sem preconceitos" com a Rússia para reduzir as tensões na Europa e as ameaças comuns de confronto.
Rasmussen reconheceu em uma entrevista ao Financial Times, da Grã-Bretanha, que continua a haver diferenças entre a Otan e a Rússia em questões que incluem o rescaldo do conflito na Geórgia, no ano passado, e a possível expansão da aliança para Geórgia e Ucrânia, ambas ex-repúblicas soviéticas.
O ex-premiê da Dinamarca, que assumiu a chefia da Otan no mês passado, disse que convidará integrantes de peso da aliança para visitar Moscou e escutar a visão do Kremlin sobre como a Otan deveria se desenvolver estrategicamente no longo prazo.
- Deveríamos envolver a Rússia e escutar a posição dos russos - falou Rasmussen, que colocou o fortalecimento das relações com a ex-república soviética como prioridade desde que assumiu o cargo.
Mas ele afirmou que quer começar uma "conversação aberta e franca (com o Kremlin), que crie uma nova atmosfera".
Rasmussen disse que vislumbra uma "parceria estratégica verdadeira", com colaboração sobre Afeganistão, terrorismo e pirataria, e que está preparado para discutir com o presidente russo Dmitry Medvedev a proposta de uma nova arquitetura de segurança para a Europa.
- A Rússia deve perceber que a Otan está aqui, e que a Otan é um marco para as nossas relações transatlânticas - disse.
Segundo ele, é preciso haver cooperação para que se evite uma proliferação nuclear, citando Irã e Coreia do Norte.
- A Coreia do Norte já é nuclear, e o Irã está ativamente perseguindo a capacidade de deter armas atômicas - disse.