Jornal do Brasil
VALE DO SWAT - As forças paquistanesas apertaram sexta-feira o cerco aos militantes extremistas no vale do Swat com a captura do porta-voz do Talibã, Muslim Khan, e de outros quatro comandantes da guerrilha. Trata-se da primeira prisão importante na região desde o início de uma ofensiva militar há quatro meses.
O anúncio parece ter sido programado para coincidir com o oitavo aniversário dos ataques terroristas em Nova York e Washington, e para impressionar a administração de Obama com a seriedade do esforço militar do país no vale do Swat.
Foi a voz de Muslim Khan que reivindicou muitos dos ataques desencadeados pelos talibãs ao longo de vários meses. Em abril, pouco antes do início da ofensiva do Exército paquistanês, Khan afirmava que Osama bin Laden poderia sempre encontrar refúgio no vale de Swat, onde os talibãs e a Al Qaeda perseguem objetivos comuns. Suas declarações se tornaram menos frequentes com o avanço das tropas paquistanesas.
Khan foi visto muitas vezes em redes de televisão do país, sentado no chão de seu escritório, vestido com um xale e calças largas, tentando pintar a causa extremista de forma atraente.
Recompensa
Meses atrás, autoridades do país tinham oferecido uma recompensa de 10 milhões de rúpias (aproximadamente US$ 120 mil) por qualquer informação que ajudasse a capturar Muslim Khan e outros líderes do grupo.
Depois de confirmar a captura de Muslim, o ministro paquistanês do Interior, Rehman Malik, deixou um aviso aos militantes islamistas que ainda oferecem resistência em Swat e no Waziristão do Sul: Vão ser mortos ou capturados .
Desde o início das operações no vale do Swat, mais de 1.700 insurgentes e cerca de 200 soldados morreram nos combates.
Os avanços da guerrilha Talibã no início do ano levou os Estados Unidos e aliados a expressarem receios não só quanto à viabilidade da própria governabilidade do Paquistão mas também sobre a segurança do armamento nuclear do país.
Washington chegou até a dizer que o governo paquistanês se mostrava incapaz de vencer batalhas contra rebeldes muçulmanos. Nas últimas semanas, as críticas deram lugar a elogios.