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PEQUIM - Os misteriosos ataques com seringas se espalharam para outras cidades da turbulenta região de Xinjiang, no oeste da China, disse nesta sexta-feira o jornal China Daily, embora novamente pareça haver uma mistura de casos reais e imaginários. Quase 600 moradores de Urumqi, capital de Xinjiang, disseram ter sido agredidos com agulhadas nas últimas duas semanas, levando a grandes manifestações da etnia han.
Nove suspeitos foram detidos nas cidades de Hotan, Altay e Kashgar, segundo o China Daily.
Dos nove ataques relatados em Hotan, só três pessoas foram realmente espetadas. Em Altay, quatro dos cinco casos foram falsos alarmes, como três dos cinco em Kashgar, segundo o jornal, citando fontes oficiais locais.
A imprensa estatal e as autoridades atribuíram os ataques de Urumqi a separatistas islâmicos da etnia uigur. Em 5 de julho, uma manifestação de uigures desencadeou um distúrbio em que 197 pessoas morreram, a maioria chineses da etnia han. Dois dias depois, os hans começaram a se vingar.
Desde então, Urumqi está com acesso interrompido à internet e a telefonemas internacionais, e com restrições nas mensagens de texto, numa tentativa de evitar que a violência se repita. Em compensação, os rumores se difundem.
As autoridades solicitaram a prisão de 295 pessoas pelos distúrbios de 5 de julho, e 51 pessoas foram indiciadas por 14 crimes, disse a agência de notícias Xinhua.
Uma mensagem de texto transmitida pela polícia desencadeou a onda de relatos sobre os ataques com seringas em Urumqi. Cinco pessoas morreram nos distúrbios da semana passada, e dezenas de milhares de hans foram às ruas exigir a demissão do poderoso secretário regional do Partido Comunista, Wang Lequan.
Até 4 de setembro, 4.513 pessoas já haviam comparecido a delegacias para dizerem que haviam sido espetadas ou apunhaladas. Elas foram submetidas a exames relativos a Aids, hepatite e doenças sexualmente transmissíveis. Desde então, pelo menos outros 77 ataques foram relatados.
Em 3 de setembro, um uigur foi agredido por uma multidão depois de ser acusado de espetar uma mulher. A ambulância que o levava ao hospital também foi atacada. No mesmo dia, cinco pessoas morreram nas manifestações.
Agora, o governo baixou ordens punindo quem difunde boatos e proibindo os cidadãos de agredirem suspeitos, num sinal de que as autoridades municipais tentam conter a crise que elas próprias iniciaram.