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Jornal argentino denuncia tentativa de intimidação do governo

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Portal Terra

BUENOS AIRES - O jornal argentino Clarín denunciou, nesta quinta-feira, uma tentativa de intimidação do governo argentino contra o grupo de comunicação. De acordo com o diário, cerca de 200 inspetores da Administração Federal de Receitas Públicas (AFIP, na sigla em espanhol), um órgão governamental denunciado por supostas irregularidades em uma reportagem, entraram no edifício onde funcionam as redações do Clarín, Olé e La Razón, em Buenos Aires.

O jornal argentino publicou uma reportagem hoje em que denunciava a existência de um suposto subsídio irregular de mais de 10 milhões de pesos da Oficina Nacional de Controle Comercial Agropecuário (ONCCA), organismo comandado pelo mesmo chefe da AFIP.

- Na sede do jornal, os inspetores, que chegaram de forma organizada em vários caminhões do serviço público, tinham o claro objetivo de intimidar -afirmou o Clarín em seu site.

Um porta-voz da agência fiscal AFIP disse que as buscas destinavam-se a examinar os balanços da companhia e eram similares a inspeções realizadas em outras empresas. No entanto, o porta-voz do Grupo Clarín, Martin Etchevers, questionou a ação e disse que a empresa havia sido selecionada.

- Este tipo de inspeção nunca ocorreu na história do Clarín - disse a um canal de televisão local.

De acordo com a Reuters, as buscas ocorrem em meio às tentativas da presidente argentina, Cristina Kirchner, de aprovar uma nova proposta de reforma da radiodifusão no país. Analistas dizem que isso enfraquecerá a posição do Grupo Clarín como empresa de mídia dominante na Argentina.

O ex-presidente argentino e marido de Cristina, Néstor Kirchner, fez críticas públicas à cobertura feita pelo Clarín do governo, classificando-a de tendenciosa, e descreveu o grupo como um "monopólio". O jornal respondeu com uma intensa cobertura negativa da proposta de reforma.

O Grupo Clarín possui jornais, emissoras de rádio e televisão, assim como empresas de internet e cabo. As ações da empresa caíram 1,6% nesta quinta-feira na Bolsa de Valores de Buenos Aires, enquanto emissoras locais cobriam a ação fiscal.

Na semana passada, o diretor do órgão regulador de radiodifusão argentino disse ter vetado a fusão das duas operadoras de TV a cabo do país, controladas pelo Grupo Clarín, uma decisão criticada por representantes da empresa. Deputados argentinos debatem a proposta de reforma apresentada pela presidente do país, que alteraria as regras da radiodifusão criadas durante a ditadura militar entre 1976-83.