Em alta, Putin comemora 10 anos no poder na Rússia

Agência AFP

MOSCOU - Com a popularidade intacta apesar da grave crise econômica que afetou duramente a Rússia, Vladimir Putin, aos 56 anos, celebra 10 anos no poder, neste domingo. Ao ser indicado para o cargo de premiê pelo então presidente russo Boris Yeltsin, no dia 9 de agosto de 1999, muitos acreditavam que o ato era apenas mais uma extravagância do governante idoso e doente e não enxergavam em Putin um líder em potencial. No entanto, ele contrariou as expectativas, foi presidente do país por 8 anos e hoje, no posto de premiê, ainda é considerado o líder mais influente da política russa.

Ex-espião, Putin era o chefe do Serviço Especial (FSB, ex-KGB) quando foi nomeado premiê por Yeltsin. Desconhecido da opinião pública, enfrentou grande resistência ao seu nome. Ele foi o quarto premiê apontado em menos de 2 anos pelo genioso Yeltsin e tomou o poder em um período em que o caos político ameaçava a unidade do país e representava um perigo real para o Estado russo.

Uma década mais tarde, o ex-espião se impôs como o artífice de um país orgulhoso diplomaticamente e forte economicamente, que superou a humilhação e o caos herdados da queda e do desmembramento da URSS, apesar desta transformação ter sido paga com uma redução das liberdades. Sem sinais de opositores no cenário político e após traçar um planejamento de longa data para o desenvolvimento da Rússia, Putin deve se manter no poder durante mais tempo, segundo analistas, contanto que fatores externos não causem instabilidade no governo.

Putin ocupou o posto de presidente durante oito anos (2000-2008) e depois virou primeiro-ministro de seu sucessor e protegido, Dimitri Medvedev, mas não resta dúvidas de que o poder real do país continua em suas mãos. Quando chegou ao poder, lançou a sangrenta segunda guerra da Chechênia. Depois afastou da política, um a um, os influentes oligarcas, empresários que caracterizaram a época de Yeltsin.

Mais tarde, obrigou os meios de comunicação a uma lealdade incondicional, suprimiu qualquer oposição liberal no Parlamento e voltou a colocar os governadores regionais sob a rédea de Moscou. "Ele tem uma importância histórica, pois com ele o país deixou de se democratizar e seguiu a via do enfrentamento com o resto do mundo", denuncia Lev Ponomarev, um dos principais defensores dos direitos humanos na Rússia e detrator da chamada "vertical do poder" de Putin. "Se com Yeltsin se podia dizer que a construção da democracia avançava passo a passo, com a chegada de Putin ela tomou o caminho inverso", acrescentou.

Aparentemente, é isso o que os russos desejam. Segundo uma pesquisa recente do centro independente Levada, 63% das pessoas entrevistadas consideram positivo que a parte fundamental do poder esteja concentrada nas mãos de Vladimir Putin. ¿Na Rússia, políticos são avaliados de maneira diferente dos critérios que são usados no ocidente¿, disse Olga Kryshtanovskaya, especialistas em ciência política.

Ele também chama a atenção pública de outras formas. Nos últimos dias, por exemplo, desceu de submarino a 1.400 metros de profundidade no Lago Baikal, cavalgou sem camisa na Sibéria e nadou no estilo borboleta diante dos fotógrafos na águas geladas de um rio.