Agência ANSA
TEGUCIGALPA - Dezenas de pessoas ficaram feridas em Honduras durante as repressões policiais contra as manifestações, realizadas de forma pacífica, que exigiam o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya.
O governo dos Estados Unidos reiterou que reconhece apenas a autoridade do presidente eleito democraticamente pelo povo hondurenho. Zelaya foi retirado do poder e expulso do país no dia 28 de junho, quando seria realizado um referendo sobre uma reforma da Constituição.
Os principais dirigentes da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado estão feridos ou foram detidos, entre eles Carlos Reyes, Rafael Alegría e Juan Barahona, que coordenavam a manifestação e o bloqueio da estrada de El Durazno, na saída de Tegucigalpa, ao norte do país.
Segundo denúncias, policiais e militares lançaram gases lacrimogêneos, disparos e agrediram fisicamente os manifestantes. Muitos debandaram, mas foram perseguidos e detidos. Jornalistas também foram alvos da repressão.
Carlos Reyes, que é candidato independente às presidenciais de novembro e dirigente do Bloco Popular, foi ferido na cabeça e sofreu uma fratura em um dos braços. Um professor do Ensino Médio, Roger Valleio Soriano, também foi ferido na cabeça e encontra-se em estado grave no Hospital Escola de Tegucigalpa, onde foram atendidos outros quatro manifestantes, entre eles três menores.
Em Comayagua, centro do país, outra manifestação foi reprimida. Pelo menos três pessoas ficaram feridas e 156 foram presas, disse Erasto Reyes, membro da Frente Nacional de Resistência. Também ontem, Zelaya se reuniu em Manágua, capital da Nicarágua, com o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens. No encontro, de mais de duas horas, falou-se sobre "como restaurar a ordem constitucional e democrática de Honduras, de forma pacífica".
Llorens reiterou que seu governo reconhece apenas o "presidente constitucional" de Honduras, Manuel Zelaya. - Devo recordar hoje que meu governo reconhece o governo do presidente Zelaya como o de Honduras -insistiu Llorens ao retirar-se do local do encontro, a sede da Embaixada de Honduras em Manágua.