Gravação da polícia não mostra racismo na detenção de professor negro

Agência AFP

DA REDAÇÃO - A gravação da conversa entre um policial e seus colegas durante a detenção de um professor negro de Harvard (Massachusetts, nordeste dos EUA) que suscitou uma forte polêmica nos Estados Unidos não mostra nenhuma conotação racista.

A gravação foi divulgada nesta segunda-feira pela polícia de Cambridge, onde foi detido, em 16 de julho, o professor Henry Louis Gates Jr.

Nesta segunda-feira, a Casa Branca expressou a esperança de reunir "para uma cerveja" Gates, o sargento Crowley, responsável pela detenção do professor, e o presidente Barack Obama, que qualificara inicialmente o comportamento da polícia de Cambridge de "estúpido".

Na gravação, o policial diz a seus colegas que Gates "não quer cooperar", e pede "reforços". A voz do professor é inaudível.

Nenhum comentário racista aparece na gravação.

Segundo o primeiro relatório policial, Gates teria exclamado no momento de sua detenção: "Vejam como tratam os negros nos Estados Unidos".

Outra gravação contém a conversa telefônica entre um policial e a mulher que ligou para a polícia para dizer que estava vendo dois homens com comportamento suspeito.

Na gravação, a mulher, cuja identidade não foi revelada, destaca não estar certa de estar presenciando um assalto.

Gates explicou que perdeu as chaves de casa, e por isso tentou arrombar a porta. Ele estava com um taxista.

Em nenhum momento a mulher menciona a cor da pele das duas pessoas que vê:

- Estou vendo dois homens tentando entrar em uma casa. Não sei se moram aqui, se têm um problema de chave, mas estou vendo um deles tentando arrombar a porta com o ombro.

- Eles são brancos, negros ou hispânicos? - pergunta a polícia.

- Um deles parece ser hispânico, mas não posso afirmar - diz a mulher.