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Advogado de Berlusconi nega escândalo arqueológico

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REUTERS

ROMA - O advogado do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, negou que o premier tenha escondido ruínas arqueológicas em sua casa de campo na Sardenha e afirmou que vídeos com o objetivo de mostrá-lo exibindo-se para uma acompanhante eram falsos, informaram jornais neste sábado.

As fitas, que seriam de Berlusconi em uma conversa com Patrizia D'Addario, prenderam a atenção de toda a Itália ao revelar detalhes dos supostos contatos sexuais. Na sexta-feira, o semanário L'Espresso publicou uma nova transcrição, na qual o bilionário político aparentemente gabava-se de tumbas em sua residência na ilha.

Segundo a lei italiana, descobertas arqueológicas feitas em propriedades privadas devem ser informadas às autoridades para inspeção, catálogo e possível escavação. A oposição pediu que o governo esclareça o assunto no Parlamento.

- O primeiro-ministro Berlusconi nunca falaria sobre a descoberta de 30 tumbas fenícias em seu parque, porque nada desse tipo está lá ou já foi descoberto na casa - afirmou Niccolo Ghedini, que também é legislador do partido Povo da Liberdade (PDL), de Berlusconi.

- Toda a área foi submetida a uma exaustiva vistoria por autoridades judiciais há pouco tempo, incluindo a casa e o parque. Outra vistoria pode ser feita a qualquer momento - disse.

O advogado negou a autenticidade dos vídeos, chamando-os de "um produto da imaginação," e alertou que é ilegal publicá-los. Berlusconi, um magnata da mídia de 72 anos, não negou que D'Addario foi a sua casa, mas disse que não sabia que ela era uma acompanhante e que nunca pagou para fazer sexo.

Após jornais de todo o mundo terem publicado detalhes das transcrições, Berlusconi tentou minimizar o escândalo com um gracejo. - Não sou santo. Vocês todos já entenderam - afirmou.

Uma pesquisa de opinião publicada na terça-feira mostrou que sua taxa de aprovação caiu abaixo dos 50% pela primeira vez desde que ele ganhou facilmente uma eleição no ano passado. Ele perdeu quatro pontos percentuais em relação a maio, quando sua mulher pediu o divórcio, causando uma série de revelações sobre sua vida privada.

Mas muitos italianos se declaram despreocupados com a vida privada do premier, dizendo que são assuntos pessoais. A emissora de televisão estatal RAI e a rede Mediaset, de Berlusconi, que reúnem grande parte da audiência italiana, mantiveram-se afastadas do escândalo.

Entretanto, analistas dizem que o caso pode diminuir o apoio a Berlusconi pelos eleitores católicos. O Avvenire, o jornal da influente Conferência Episcopal Italiana, desaprovou suas ações.