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Premier japonês desmembra Câmara e abre alas pra oposição

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Jornal do Brasil

TÓQUIO - O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, 68 anos, dissolveu nesta terça-feira a Câmara dos Deputados, dando sinal de partida para uma disputa violenta pelas eleições legislativas marcadas para o dia 30 de agosto, que poderiam desembocar em uma mudança radical no equilíbrio político da segunda maior economia mundial. Pesquisas indicam o risco de o seu Partido Liberal Democrata (PLD) sofrer uma derrota histórica.

O Partido Democrático do Japão (PDJ), que promete estar mais atento a preocupações populares, é o favorito, de acordo com pesquisas, para pôr fim à dominação dos conservadores do PLD sobre a vida política japonesa durante mais de meio século.

Ministros japoneses deram aval à dissolução da Câmara Baixa proposta por Aso, à frente do governo desde setembro, e receberam a notícia com aplausos e gritos de Banzai (Viva!). As eleições designarão 480 novos deputados que, por sua vez, nomearão um novo primeiro-ministro. No Japão, a liderança do governo é ocupada pelo chefe do partido que obtiver a maioria na Câmara dos Deputados.

Minhas declarações e o fato de ter sido acusado de mudanças de posições políticas conduziram o povo japonês a afastar-se da política justificou Aso ao seu gabinete. O resultado foi uma diminuição do apoio ao PLD. Eu lamento muito.

O líder da oposição, Yukio Hatoyama, apoiado por quase 50% dos eleitores japoneses, segundo uma pesquisa da agência Kyodo, e que já tem o controle do Senado, disse nesta terça-feira que ele, seus correligionários e eleitores estão decididos a encarar o pleito como uma missão histórica , cujo objetivo é acabar com a política dos burocratas .

O curto mandato do atual premier japonês foi marcado pela impopularidade o apoio da população chegou a cair para 11% pelos vários tropeços verbais e pela grave recessão que a segunda maior economia do mundo enfrenta.

Após dissolver a Câmara Baixa, o chefe de governo pediu perdão ao povo japonês pelas desconfianças geradas por suas palavras inadequadas , em alusão aos vários comentários infelizes sobre temas sensíveis.

Graças ao desempenho nas eleições de 2005, o PLD tem atualmente 303 das 480 cadeiras da Câmara Baixa. Após uma aliança com o partido budista Novo Komeito, a legenda passou a ter a maioria na Casa (334 assentos). O Senado, no entanto, é controlado desde julho de 2007 pelo Partido Democrático do Japão, que tem 118 cadeiras, contra 102 da coalizão governista.

A legenda conservadora está em decadência depois da partida do popular primeiro-ministro Junichiro Koizumi, em 2006. Em apenas um ano, ele foi sucedido por três chefes de governo que não conseguiram impedir o desinteresse de eleitores em 2007, ao eleger a oposição nas eleições para o Senado.

Até pouco tempo atrás, uma eventual derrota do PLD nas legislativas parecia inconcebível, devido à enorme influência do nome, que criou vínculos estreitos com as grandes empresas e os influentes grupos agrícolas, buscando assim o respaldo de milhões de pessoas desde a sua criação em 1955.

Mortes

Nesta terça-feira, cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram desaparecidas após um deslizamento de terra ocorrido na cidade de Hofu, na província de Yamaguchi, no sul do Japão, em consequência das intensas chuvas. Os deslizamentos afetaram, principalmente, uma estrada da cidade e um lar de idosos, de acordo com a agência Kyodo.