Jornal do Brasil
WASHINGTON - No dia em que assessores econômicos de Barack Obama manifestaram alívio com uma suposta melhora da situação nos Estados Unidos, os números voltaram a assombrar o país. A taxa de desemprego, divulgada pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, ultrapassou a casa de 10% em 15 estados americanos no mês de junho. A informação surgiu a partir do detalhamento dos dados nacionais de desemprego, divulgados pelo órgão na semana retrasada. Os dados mostraram, entre outras coisas, que a média do desemprego no país está em 9,5%, a maior taxa em 26 anos.
Apesar dos números, o principal assessor econômico da Casa Branca, o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers, afirmou ontem que a economia dos EUA esteve à beira de uma catástrofe em janeiro, mas conseguiu progressos consideráveis desde então.
A economia estava em queda livre no começo do ano, sem um limite aparente ao quão ruim as coisas podiam chegar disse Summers, que falou no Instituto Peterson de Economia Internacional, onde fez um balanço dos primeiros seis meses do presidente Barack Obama na Casa Branca. Na ocasião, acrescentou que o medo era generalizado e a confiança, pouca .
A situação agora, no entanto, é diferente, enfatizou Summers, ao dizer que a nova economia americana deve depender menos do consumo e mais da exportação. O economista disse que a equipe de Obama entendeu que a situação enfrentada pelos EUA era semelhante à do Japão nos anos 90 e aos primeiros momentos da Grande Depressão. As duas crises, diagnosticou Summers, teriam se ampliado porque os governos tomaram medidas insuficientes . Por isso, a Casa Branca decidiu adotar medidas de resgate da economia que não fossem tímidas demais nem tardias demais .
Retração no setor automotivo
Com relação aos dados do desemprego, o estado de Michigan apresentou a maior variação (15,2%). Foi a primeira vez que um estado americano registrou desocupação acima dos 15% desde 1984. Sede da indústria automotiva americana, o estado sofreu as consequências das perdas de postos de trabalho no setor mais afetado pela crise global. Apesar disso, a taxa já esteve maior no estado chegou a 16,9% em novembro de 1982.
Ainda segundo o Departamento de Trabalho, em seis estados (Geórgia, Nevada, Rhode Island, Carolina do Sul, Flórida e Delaware), o nível de desemprego é o maior da série histórica, iniciada em 1976.
De acordo com previsões de analistas de mercado e do próprio presidente americano, Barack Obama, a taxa média de desemprego nos EUA deve ultrapassar os 10% até o fim do ano.