Agência ANSA
MONTEVIDÉU - Os primeiros dados oficiais divulgados pela Corte Eleitoral do Uruguai apontam José Mujica, da coalizão governista Frente Ampla, e de Luis Alberto Lacalle, do opositor Partido Nacional, como vencedores das prévias realizadas ontem para escolher os candidatos dos partidos às eleições presidenciais de outubro.
Com 4,6% dos votos apurados, Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, largou na frente com 58,27% de apoio, contra 35,19% de seu principal adversário, Danilo Astori, que contava com apoio do presidente do país, Tabaré Vázquez. Já o ex-presidente Lacalle, que governou entre 1990 e 1995, possui 55,24% dos votos internos do Partido Nacional, enquanto o senador Jorge Larrañaga soma 44,63%.
A terceira força política do país, o Partido Colorado, tem Pedro Bordaberry disparado na liderança da apuração, com 71,14% dos votos internos de seu partido. Outros cinco partidos, com menor peso, também realizaram suas prévias, como determina a Constituição.
Os resultados preliminares confirmam o que vinha sendo apontado desde o início da noite de ontem por uma pesquisa de boca-de-urna realizada pela consultoria Factum. De acordo com o levantamento, o candidato oficial governista seria Mujica, que receberia entre 53% e 57% de apoio interno.
O estudo também mostrava que Lacalle deveria vencer no Partido Nacional, com apoio de 56% a 58%. Bordaberry também aparecia como franco favorito nas internas do Partido Colorado, somando entre 74% e 80% dos votos.
Mesmo antes do fim das apurações, Larrañaga assumiu a derrota e anunciou que aceitaria ser o vice na chapa liderada por Lacalle. O anúncio foi feito na noite de ontem, durante um festejo na sede do partido.
A adesão de Larrañaga surpreendeu analistas políticos, que esperavam de fato uma aliança entre os dois líderes opositores, mas imaginavam que ela aconteceria após alguns dias de negociação.
Agora, após o resultado, os candidatos escolhidos se perfilam à corrida presidencial. Hoje, Mujica deverá se reunir com Astori para definir a chapa da coalizão governista. A disputa de 25 de outubro, que definirá o sucessor de Vázquez, deverá ser polarizada pela Frente Ampla e o Partido Nacional, as duas principais forças do país.