Agência ANSA
BUENOS AIRES - A imprensa argentina noticiou hoje a derrota do ex-presidente Néstor Kirchner nas eleições legislativas pela província de Buenos Aires, com destaque à perda da maioria no Congresso, registrada pela primeira vez desde que os Kirchner assumiram o governo.
O pleito, que renova metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, era considerado o maior desafio eleitoral do casal Cristina e Néstor Kirchner, no poder desde 2003, que pela primeira vez corria o risco de perder a maioria no Congresso, o que de fato ocorreu. Kirchner perdeu para o seu principal adversário, o empresário Francisco de Narváez, por dois pontos percentuais.
No jornal Clarín, de maior tiragem do país, a notícia foi destaque com a manchete: 'A derrota de Kirchner foi muito dura e perdeu o controle do Congresso', ressaltando que "70% dos votos em todo o país foram contra o governo".
O La Nación abordou o fato da mesma forma, com o título 'Dura derrota de Kirchner'. A publicação comentou que "o governo sofreu um forte retrocesso nas duas câmaras".
A capa do jornal Crítica trouxe uma foto do ex-presidente com as mãos na cabeça, junto com a inscrição "Perdeu" e a legenda "Néstor Kirchner em queda livre: colocou em jogo todo o aparato estatal e não conseguiu ganhar em Buenos Aires. Já não controla o Congresso e até em Santa Cruz o derrotaram".
A província de Santa Cruz, localizada na Patagônia, é a terra natal do ex-presidente, e onde Kirchner já foi governador.
No Pagina 12, a notícia aparece na manchete principal sob o título "Barajar y dar de nuevo" [na tradução literal, embaralhar e dar de novo], em alusão a um jogo de cartas, quando se encerra uma partida e inicia-se outra.
Durante esta madrugada, o ex-presidente reconheceu sua derrota na capital argentina Bueno Aires, segundo distrito eleitoral do país, com 10 milhões de votantes, declarando que foi "por um pouquinho".
- Perdemos por um ponto e meio ou dois pontos [percentuais], e não temos nenhum problema em reconhecer. Se o peronismo tivesse ganhado por dois pontos, com certeza estariam nos acusando de fraude - provocou o ex-mandatário, referindo-se a persistentes denúncias feitas em outras ocasiões contra os governistas.
Na disputa para renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, os governistas ficaram em segundo lugar no principal distrito do país. A aliança União PRO, entre o partido opositor PRO e De Narváez, recebeu 34,51% dos votos, com quase 90% das urnas apuradas. A lista liderada por Kirchner, da Frente pela Vitória (FPV), obteve 32,16% dos votos.
Dos 257 postos da Câmara dos Deputados, o partido de Cristina Kirchner terá cerca de 100, o que significa a perda de 15 cadeiras. Para garantir o quorum, é necessária a presença de 129 deputados. Já no Senado, o governo terá 34 das 72 cadeiras.
O governo perdeu ainda nos distritos eleitorais considerados mais importantes, como na cidade de Buenos Aires e na província de Córdoba, que tradicionalmente conferem aos vencedores projeção para as eleições presidenciais de 2011.