Honduras: militares derrubam o presidente

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Em meio a trocas de acusações sobre ilegalidade e ameaças, as Forças Armadas hondurenhas derrubaram o presidente Manuel Zelaya, retirando-o da residência presidencial ainda de madrugada e pondo-o em um avião rumo à capital da Costa Rica, San José. Horas depois, o Congresso unânime empossou como novo chefe de Estado o presidente do Parlamento, Roberto Micheletti, depois de aceitar a suposta renúncia do ex-líder.

Acordei com disparos e saí praticamente de pijama disse Zelaya na rede de TV Telesur, afirmando que 22 militares armados o levaram seminu e sob ameaça de morte à base aérea militar.

Diante do golpe que contou com o apoio da Suprema Corte, líderes da comunidade internacional exigiram a volta do presidente retirado do cargo.

Eleito domingo como novo governante do país, Micheletti teve sua posse aprovada em decreto aprovado pelo plenário do Parlamento por unanimidade em uma sessão extraordinária. De acordo com o documento, Micheletti, do governante Partido Liberal, ficará no cargo pelo tempo restante do mandato correspondente a Zelaya, que terminaria em 27 de janeiro de 2010.

Apesar de o Congresso ter aceito suposta renúncia de Zelaya e aprovado sua destituição, na Costa Rica, o próprio Zelaya negou categoricamente ter renunciado ao cargo.

Nunca renunciei e nunca vou utilizar esse mecanismo sublinhou.

O Exército derrubou Zelaya depois de, na semana passada, o presidente ter destituído o chefe de Estado-Maior porque este se negou a ajudá-lo a organizar um referendo declarado ilegal pela Justiça sobre a possibilidade de estender o mandato presidencial de quatro anos. A Suprema Corte ordenou que Zelaya restituísse a seu cargo o chefe do Estado-Maior, general Romeu Vázquez, e o presidente viu isso como tentativa de golpe.

A intenção de fazer a consulta sobre a extensão do tempo de governo, marcada para domingo, acabou com a estabilidade política que o país empobrecido mantinha desde o fim da ditadura militar, no início de 1980, e dividiu as instituições.

Se fazer consulta provoca um golpe de Estado e leva o presidente a ser agarrado e retirado do país à força, então em que democracia estamos vivendo? questionou Zelaya.

Confronto

Na capital Tegucigalpa, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra partidários de Zelaya que se manifestavam no centro. Dois aviões de guerra cruzaram o céu e militares em uniformes de combate cercaram a residência presidencial, onde 2 mil partidários de Zelaya manifestavam. Faltou eletricidade em alguns pontos da cidade. Micheletti decretou

toque de recolher de 48 horas, a partir das 21h de domingo.

Domingo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou uma sessão extraordinária para tratar de Honduras. A União das Nações Sul-Americanas (Unasul) anunciou que não reconhecerá nenhum outro governo hondurenho e condenou a ação contra Zelaya, pedindo sua restituição imediata.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a prisão viola princípios democráticos .

Em nota, o Itamaraty condenou o golpe, ao dizer que ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região , além de pedir que Zelaya seja imediata e incondicionalmente reposto em suas funções .