Agência ANSA
LIMA - O governo do Peru chamou hoje para consultas seu embaixador em La Paz, Fernando Rojas, em protesto contra declarações do presidente da Bolívia, Evo Morales, sobre as mortes ocorridas na região da Amazônia peruana há duas semanas.
Ao se referir à repressão policial de uma manifestação promovida por indígenas em Bagua, norte do Peru, quando pelo menos 30 pessoas morreram, Morales definiu o episódio como "um genocídio do TLC", lembrando o Tratado de Livre Comércio que o Peru assinou com os Estados Unidos.
Em Lima, o ministro das Relações Exteriores, José Antonio García Belaunde, disse que a convocação do embaixador constitui uma "manifestação de desagravo ante as constantes intromissões do governo boliviano" em assuntos internos. Ele não informou, além disso, quando Rojas poderá voltar a La Paz.
As relações entre Peru e Bolívia estão tensas desde que Lima concedeu asilo político a três ex-ministros bolivianos julgados em seu país por crimes de lesa-humanidade, no mês passado. Por causa disso, Morales chegou a cogitar o rompimento dos vínculos diplomáticos.
Agora, o presidente peruano, Alan García, crê que Morales fomentou protestos em uma carta enviada a participantes de um congresso indígena em Puno, perto da fronteira. No documento, o mandatário incentivou os nativos a buscar sua "segunda e definitiva" independência.
No último dia 5, durante o desbloqueio da rodovia Fernando Belaunde Terry, em Bagua, pelo menos 30 pessoas perderam a vida.
As comunidades indígenas peruanas estão mobilizadas há dois meses para exigir a revogação de decretos que facilitam a exploração de recursos na Amazônia.
Na semana passada, o Congresso do país decidiu suspender os dispositivos por tempo indeterminado. A ideia é criar condições para que governo e indígenas possam negociar.