Agência ANSA
BUENOS AIRES - O governo argentino negou hoje que tenha a intenção de antecipar as eleições presidenciais de 2011 caso sofra uma derrota nas legislativas de 28 de junho, como sugerem vários membros da oposição.
Segundo o jornal argentino Clarín, fontes próximas ao governo disseram que o ex-presidente Néstor Kirchner - marido da atual mandatária, Cristina Kirchner, e candidato a deputado federal - não descarta a hipótese de antecipar as presidenciais se perder no Congresso para seu principal adversário, o empresário opositor Francisco De Narváez.
Estas especulações, no entanto, foram qualificadas pelo governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, como "absurdas" e "negativas", ao passo que o ministro do Interior, Florencio Randazzo, considerou a versão "uma mentira e um disparate", de acordo com o jornal.
Scioli, também candidato a deputado federal, aparece depois de Néstor Kirchner na lista da coalizão governista Frente pela Vitória às eleições da Câmara, que são realizadas mediante o sistema de representação proporcional.
Já a oposição, que conta entre suas lideranças Elisa Carrió, do Acordo Cívico, considera há tempos a possibilidade da antecipação.
- É uma hipótese verossímil - afirmou Carrió ao jornal.
De Narváez, por sua vez, disse que "não achava possível que (o governo) antecipasse essas eleições (legislativas), mas antecipou", disse, referindo-se à aprovação pelo Congresso da antecipação das disputas parlamentares, originalmente marcadas para outubro.
- Não vou permitir que a loucura de Kirchner leve a Argentina a uma crise - declarou, sempre de acordo com o Clarín.
Segundo as últimas pesquisas de opinião, Kirchner de De Narváez disputam acirradamente a província de Buenos Aires (que reúne 37% da população do país), mas o governo perde em todos os outros principais distritos do país e corre o risco, pela primeira vez, de não contar mais com maioria no Congresso.