Agência ANSA
LA PAZ - O chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse que é "normal" o governo do Peru ter convocado seu embaixador em La Paz, Fernando Rojas, para protestar contra afirmações feitas recentemente pelo presidente Evo Morales.
- Soube que o embaixador do Peru foi convocado para consultas. É normal, uma prática que acontece periodicamente - disse Choquehuanca.
Ele admitiu que as relações diplomáticas bilaterais vivem um "mau momento", mas atribuiu à imprensa a responsabilidade pela situação.
- Nossos povos querem que as autoridades trabalhem de forma coordenada. Temos espaços de discussão - ponderou. - Há interesses externos que podem provocar ou visam ao enfrentamento, mas temos consciência e sabemos analisar.
O governo do Peru chamou hoje para consultas seu embaixador depois que Morales definiu como um "genocídio" as dezenas de mortes ocorridas no dia 5 na Amazônia, quando policiais desbloquearam uma estrada fechada havia dez dias por indígenas.
O episódio ocorreu na cidade de Bagua, norte do país, e resultou em pelo menos 30 mortes. O presidente da Bolívia relacionou a violência ao Tratado de Livre Comércio (TLC) assinado por Peru e Estados Unidos.
Há dois meses, as comunidades nativas peruanas estão mobilizadas para exigir a revogação de decretos que facilitam a exploração de recursos na Amazônia.
Na semana passada, o governo de Lima já havia acusado Morales de fomentar os protestos em uma carta enviada a um congresso de indígenas realizado no fim de maio em Puno, na fronteira.
Ontem, o presidente Alan García disse que cada mandatário "deve governar seu próprio país, sem se meter em assuntos dos vizinhos ou enviar cartas".
Outro assunto que conturbou as relações entre Lima e La Paz foi a concessão, por parte do Peru, de asilo político a três ex-ministros bolivianos acusados em seu país de crimes de lesa-humanidade.