Agência ANSA
MANÁGUA - O governo da Nicarágua decidiu nesta terça-feira conceder asilo político ao líder indígena peruano Alberto Pizango, que desde ontem estava refugiado na Embaixada do país em Lima, depois que sua prisão foi pedida pela Justiça.
O embaixador da Nicarágua no Peru, Tomás Borge, que está em seu país por questões familiares, informou que o presidente Daniel Ortega aceitou o pedido feito por Pizango.
De acordo com o diplomata, o líder indígena disse que está sendo "ameaçado" pelo presidente peruano, Alan García.
- Pizango é acusado de ser o instigador de acontecimentos violentos, e o presidente Ortega decidiu outorgar o asilo político - declarou. - Agora, resta esperar para ver quando o Peru irá liberar o asilado.
Pizango encabeça a Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep).
A entidade lidera as mobilizações protagonizadas por indígenas há dois meses contra decretos do governo para facilitar a exploração de madeira, minerais e hidrocarbonetos na região da Amazônia.
Na última sexta-feira, um violento confronto foi deflagrado quando forças policiais desbloquearam a estrada Fernando Belaunde Terry, a cerca de 900 quilômetros da capital Lima, fechada havia dez dias por manifestantes.
O número de mortes ocorridas naquela ocasião, porém, difere conforme as partes envolvidas. Para o governo, 24 policiais e nove civis perderam a vida.
Os indígenas alegam que pelo menos 40 pessoas das comunidades locais teriam sido assassinadas, e denunciam que 100 estão desaparecidas.
O governo de Lima responsabilizou Pizango pelo episódio. Sua prisão foi pedida no fim de semana.
Hoje, Borge negou que a Nicarágua tenha a intenção de interferir em assuntos peruanos. Ele disse que a decisão está de acordo com "uma tradição de dar asilo a perseguidos políticos, como é o caso".
O embaixador ressaltou que a Nicarágua mantém "total respeito pela soberania e todos os assuntos internos do Peru". O governo de Lima alega que o movimento indígena contaria com o apoio estrangeiro.