Agência ANSA
HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro elogiou nesta terça-feira a "capacidade de comunicação" do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ressaltando, porém, que o os princípios do mandatário "contradizem" a "superpotência" que ele administra.
Em um novo artigo publicado na imprensa cubana, Fidel analisou o discurso de Obama feito na última quinta-feira, no Cairo. Para ele, o mandatário norte-americano foi certeiro, se "comparado a seu antecessor [George W. Bush], que se equivocava em cada parágrafo".
Em outro elogio, Fidel lembrou "a raiz africana de Obama, sua origem humilde e sua assombrosa ascensão que despertam esperanças para muitas pessoas que, como náufragos, buscam tábuas de salvação em meio à tempestade".
Para Fidel, Obama "acertou" ao dizer que "qualquer regime no mundo que ponha uma nação ou grupo humano acima de outro inevitavelmente fracassará". O líder cubano destacou ainda os trechos do discurso em que o democrata diz que "pessoas de todos os credos rechaçam o assassinato de homens, mulheres e crianças inocentes".
Apesar dos elogios, Fidel lembrou que a "maior dificuldade" em relação ao presidente norte-americano "é que os princípios que prega estão em contradição com a política assumida pela superpotência durante quase sete décadas".
- Cada uma das normas defendidas por Obama no Cairo estão em contradição com as intervenções e as guerras promovidas pelos Estados Unidos. A primeira delas foi a famosa Guerra Fria, que é mencionada em seu discurso e que foi provocada pelo governo de seu país - lembrou o ex-presidente.
Fidel destacou ainda que muitas das "milhões de pessoas que morreram nos conflitos protagonizados pelos Estados Unidos na China, nas Coreias, Vietnã, Laos e Camboja eram crianças, mulheres e idosos".
Entretanto, o líder da revolução cubana disse que "é cedo" para julgar o "grau de compromisso" de Obama com as ideias que defende.
As relações entre Havana e Washington deram os primeiros sinais de que podem se restabelecer após a posse de Obama, em janeiro. Três meses depois de chegar à Casa Branca, o mandatário suspendeu restrições a viagens e envio de remessas a Cuba.