Kirchner crítica medida contra ingresso de Venezuela ao Mercosul

Agência ANSA

BUENOS AIRES - O ex-presidente argentino Néstor Kirchner, que lidera a lista governista às eleições legislativas de 28 de junho, qualificou hoje como "absurda" a intenção de barrar o ingresso da Venezuela no Mercosul, ao mesmo tempo em que afirmou que o governo argentino tem um modelo diferente do mantido pelo venezuelano Hugo Chávez.

- Os benefícios da nossa relação com a Venezuela são muito positivos. Cuba voltou à Organização dos Estados Americanos (OEA) e alguns tentam tirar a Venezuela do Mercosul. É uma atitude retrógrada. É um absurdo - exclamou o ex-mandatário, referindo-se à proposta feita por empresários argentinos de repudiar a decisão do governo venezuelano de estatizar fábricas do grupo Techint.

Kirchner, que lidera a lista de candidatos a deputado federal pelo Peronismo e sua sublegenda Frente pela Vitória na província de Buenos Aires, ressaltou, no entanto, que a Argentina possui um modelo diferente do aplicado na Venezuela, porque o argentino é baseado em "um Estado presencial, que articula o público com o privado".

- Toda vez que nós tivemos que fazer algo em relação a alguma empresa, ocorreu porque a abandonaram. Somos fortes defensores da atividade privada com sentido nacional - ratificou Kirchner em declarações à rádio América.

O ex-presidente afirmou ainda que sua esposa, a atual mandatária argentina, Cristina Kirchner, "vai lutar para que seja pago o preço correspondente" às empresas nacionalizadas.

No dia 21 de maio, Chávez anunciou a estatização de diversas siderúrgicas, entre elas três que integram o grupo Techint: a Tavsa (Tubos de Aço da Venezuela SA), Matesi (Materiais Siderúrgicos) e Comsigua (Complexo Siderúrgico da Guiana).

Logo depois, a União Industrial Argentina (UIA), que reúne os industriais do país, pediu que fosse "revista a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul". Segundo a entidade, o governo venezuelano "coloca em risco a integração regional".

A entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul foi aprovada por Argentina e Uruguai, e depende agora da aprovação dos Congressos de Brasil e Paraguai.