Jornal do Brasil
CARACAS - Parte do ambicioso projeto do chamado socialismo do século 21, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, impulsionou mais uma série de estatizações, expropriando o capital privado de empresas e indústrias estrangeiras no país.
Nesta sexta-feira, Chávez anunciou a nacionalização de quatro empresas metalúrgicas produtoras de briquete e de outra de canos de aço. Elas contam com capitais japoneses, mexicanos, europeus e australianos, e operam na região de Guiana, no sul da Venezuela.
Também foi divulgada a nacionalização da empresa local Cerámicas Carabobo, após ter ameaçado comprá-la em 2008 caso não fosse solucionado um conflito que envolvia seus trabalhadores.
Em discurso, o presidente ressaltou que a nacionalização dessas empresas é um passo indispensável para poder criar um complexo industrial homogêneo na região.
Nesta sexta ainda o governo venezuelano firmou um acordo para comprar a unidade do grupo
espanhol Santander no país por
US$ 1,050 bilhão.
O acordo de compra do Banco da Venezuela prevê que o pagamento seja realizado em parcelas, e permite ao Santander a repatriação de dividendos pela taxa de câmbio oficial.
O acerto foi firmado pelo presidente da instituição, Michael Goguikian, e o ministro de Finanças da Venezuela, Alí Rodríguez, na presença do vice-presidente do país, Ramón Carrizalez, que explicou que o acordo definitivo será assinado em 3 de julho, data em que o Estado assumirá as operações do banco.
Dando sequência ao movimento impulsionado pelas autoridades, a unidade da farmacêutica Pfizer na Venezuela analisa ações para uma eventual ocupação de uma de suas unidades por parte do governo do presidente Hugo Chávez.
O ministro do Comércio, Eduardo Samán, prepara um relatório para que Chávez decida se levará adiante uma intervenção temporária, solicitada por um grupo de trabalhadores que temem perder seus empregos pelo suposto fechamento de uma fábrica na cidade de Valencia, na região central do país.
BNDES
Apesar da compra bilionária referente ao banco do grupo espanhol Santader e da tomada de controle de unidades do setor estrangeiro privado, o governo venezuelano negocia um empréstimo com o governo brasileiro.
Na quinta-feira, Chávez disse ter pedido um empréstimo de US$ 10 bilhões ao brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estaria na Venezuela para analisar os mecanismos destes projetos comuns de desenvolvimento .