Agência ANSA
BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, falou nesta terça-feira em Brasília na Câmara dos Deputados sobre o caso da extradição do ex-ativista político e escritor italiano Cesare Battisti.
Durante uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o ministro afirmou que o governo da Itália pretende usar o caso como símbolo dos episódios violentos que marcaram o país europeu nos anos 70.
- O Brasil não vai se servir para entregar alguém que será bode expiatório dos anos de chumbo da Itália - declarou em informações divulgadas pela Agência Brasil.
Ele reforçou a posição do governo brasileiro de conceder refúgio político a Battisti - status dado ao italiano em janeiro deste ano.
- Qualquer juiz medianamente isento que analisasse hoje o caso de Battisti, o absolveria por insuficiência de provas - alegou Tarso Genro.
- O Supremo já decidiu casos semelhantes ao de Battisti e isso jamais foi levantado. Por que seria inconstitucional quando um ministro de esquerda como eu conceder refúgio a um criminoso político?
Battisti, preso no Brasil desde 2007, é ex-membro da organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) e foi condenado na Itália, em 1993, à prisão perpétua pela autoria de quatro assassinatos cometidos na década de 70. Ele se encontra se encontra atualmente detido na Penitenciária de Papuda, em Brasília.
Entrevistado pela emissora de televisão franco-alemã Arte, Battisti voltou a dizer que é inocente e confessou ter medo de ser extraditado, como pede a justiça de seu país. Ao comentar as afirmações de Battisiti, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, declarou que seu país não dará "sinais de indulgência ou anistia para os terroristas, em particular no caso de Cesare Battisti".