Comissão defende integração energética da América Latina e o Caribe

Alana Gandra, Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Estudo que será divulgado nesta quarta-feira pelo Conselho Mundial de Energia (CME) avalia que há recursos energéticos suficientes na América Latina e no Caribe para promover a integração energética da região, a partir da elaboração de projetos multilaterais que serviriam para mais de um país.

A Agência Brasil conversou nesta terça-feira com o vice-presidente do CME para a América Latina e o Caribe, Norberto de Franco Medeiros, que adiantou alguns pontos do estudo. A divulgação será feita no Seminário de Integração Energética da América Latina e do Caribe, no auditório de Furnas Centrais Elétricas, que se realiza amanhã no Rio de Janeiro.

O estudo do CME consolidou os 40 principais relatórios sobre o setor existentes no continente, dos quais foram selecionados 13, com atualização feita pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ) e pela Universidade de Buenos Aires (UBA).

Medeiros destacou que a integração energética da região é importante porque é o primeiro passo para a integração econômica, social e cultural dos países . Ele lembrou que, na Europa, esse processo começou há 60 anos, com a Comissão Européia para o Carvão e para o Aço e, atualmente, os países europeus têm um mercado e uma moeda comuns.

- Isso é uma coisa fantástica - avaliou.

O estudo do CME prevê que haja também na América Latina e no Caribe uma integração energética. Medeiros citou o exemplo do gás, cuja oferta é elevada na Bolívia, no Peru, na Argentina e, agora, no Brasil e na Venezuela.

- Então, provavelmente, vão surgir no futuro possibilidades de você utilizar esse gás de uma forma conjunta.

O vice-presidente do conselho advertiu que se não for promovida essa integração energética, dificilmente você faz a integração procurada, que é a integração política e econômica .

O documento identificou que existe energia em abundância na região, além de custo de oportunidade baixo.

- E existe um ganho de você fazer a interconexão dos projetos - sinalizou.

Segundo ele, os países precisam entender que a integração é importante e que comprar energia do vizinho não implica em vulnerabilidade. Na análise de Medeiros, a integração energética vai melhorar a condição de vida das pessoas, sobretudo das mais pobres.

O estudo sugere também que sejam facilitadas a transferência de tecnologia e a criação de esquemas de financiamento para promover a integração desses projetos. Os países devem, ainda, encorajar os investimentos diretos, sejam privados ou públicos. Medeiros admitiu que a crise financeira internacional pode dificultar o processo de integração energética na região, mas lembrou que a própria crise pode apontar oportunidades, que têm de ser aproveitadas pelas nações.

- O que não se pode é perder os objetivos de longo prazo, entre os quais se destaca o atendimento à demanda, que vai ser sempre crescente.

Ele disse que não devem ser esquecidos também os problemas das mudanças climáticas e da pobreza. Outra conclusão é que a realização de projetos multilaterais torna o seu custo mais barato para os países e que eles podem resolver esses problemas, visando à energia limpa e sustentável.

O CME constatou que, para promover a integração, é preciso compatibilizar os marcos regulatórios existentes, para permitir que os projetos sejam feitos. Segundo Medeiros, os países do Caribe já têm um projeto em andamento, que prevê um marco regulatório mínimo, para propiciar a interligação dos países, por meio de uma linha de transmissão.