Premiê britânico pede desculpas por gastos de políticos

Kate Kelland, REUTERS

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu desculpas nesta segunda-feira pelos gastos pessoais que afetam a reputação da classe política, no mesmo dia em que um jornal divulgou novas despesas extravagantes.

O escândalo dos gastos envolve parlamentares trabalhistas inclusive Brown e alguns ministros e da oposição.

As revelações geraram indignação da opinião pública e propostas para a antecipação das eleições, programadas inicialmente para até meados de 2010.

- Quero pedir desculpas em nome dos políticos... de todos os partidos pelo que aconteceu - disse Brown em um discurso.

Já na noite desta segunda-feira, o jornal The Daily Telegraph disse em seu site que políticos conservadores (oposição) receberam dezenas de milhares de libras para manter mansões e outros imóveis senhoriais.

Um deles declarou o gasto de 2 mil libras (3.000 dólares) para limpar o fosso em torno da sua mansão. Outro admitiu ter pedido reembolso pela limpeza da piscina, mas disse que irá devolver o dinheiro. Um terceiro apresentou notas de 380 libras em estrume de cavalo para o seu jardim.

O uso dessa verba que se soma a um salário anual de aproximadamente 65 mil libras, quase o dobro do salário médio britânico é particularmente mal visto neste momento porque a Grã-Bretanha atravessa sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial.

Uma pesquisa divulgada pelo jornal The Times mostra que o escândalo está tirando votos tanto dos trabalhistas quanto dos conservadores.

Quem está se beneficiando é o partido Liberal Democrata, o segundo maior da oposição, e agrupações menores, como o direitista Partido Nacional Britânico e o antieuropeu Partido Independência UK.

Nessa pesquisa do instituto Populus, a liderança é dos conservadores, 39 por cento, contra 26 dos trabalhistas. Ambos perderam quatro pontos percentuais desde o começo de abril.

Os liberal-democratas cresceram 4 e foram a 22. Os outros partidos também ganharam 4 pontos, totalizando 13.

Alguns comentaristas dizem que o Partido Trabalhista, no poder desde 1997, pode cair para o terceiro lugar nas eleições locais e europeias de 4 de junho, e que isso poderia gerar contestações à liderança de Brown.

(Reportagem adicional de Adrian Croft)