Agência ANSA
CIDADE DO VATICANO - O vice-diretor do jornal vaticano L'Osservatore Romano, Carlo Di Cicco, comentou em um editorial a visita que o papa Bento XVI fez nesta terça-feira à região italiana de Abruzzo, atingida por um terremoto no último dia 6.
No texto, intitulado "Uma página de compartilhamento", o jornalista afirma que Bento XVI "dissipou, com naturalidade", o senso comum que o retrata como um homem frio.
O Pontífice viajou na manhã desta terça a Abruzzo e esteve nos acampamentos montados pela Defesa Civil no povoado de Onna, onde estão vivendo parte das pessoas que ficaram desabrigadas após o desastre. Além disso, foi à cidade de L'Aquila, onde foi registrado o epicentro do tremor, que marcou 5,8 graus na escala Richter.
Ele se reuniu com autoridades civis e religiosas e, em um dos momentos mais emocionantes da visita, encontrou-se com sobreviventes do terremoto.
Para Di Cicco, o contato com a população atingida pelo sismo ocorreu "em três horas humanas, nas quais o Papa foi aceito como um parente distante que vem dar consolo e que sente a necessidade de aliviar, ao menos um pouco, o peso que tem devastado estas vidas".
O Pontífice, prossegue o artigo, "ouviu cada um dos tantos que o saudaram pessoalmente. Falou com homens e mulheres, adultos e crianças, bispos e prefeitos, padres e laicos: olhando nos olhos de todos, apertando forte suas mãos, abraçando e beijando com compaixão as mães e os jovens".
Quando estava em L'Aquila, o Papa revelou que estava comovido e pediu às cidades da região que cooperassem entre si para solucionar, o mais rápido possível, os problemas dos que ainda estão vivendo provisoriamente em tendas.
Bento XVI foi recebido pelo prefeito, Massimo Cialente, e pelo arcebispo da cidade, Giuseppe Molinari, pelo presidente da região de Abruzzo, Gianni Chiodi, e por administradores de outros municípios atingidos pelo tremor, além de militares e pessoas que prestaram socorro às vítimas.
O terremoto, que ocorreu às 3h32 locais do último dia 6, uma segunda-feira (22h32 de domingo, no horário de Brasília), deixou 297 mortos e mais de 50 mil desabrigados. Dois dias depois, o Pontífice afirmou, durante uma audiência geral no Vaticano, que iria à região de Abruzzo.