Agência ANSA
ROMA - O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse nesta quarta-feira que a União Europeia (UE) deveria ter adotado a posição comum de boicotar a Conferência Mundial sobre Racismo da ONU, conhecida como Durban II, em andamento em Genebra.
A UE "perdeu mais uma ocasião para alcançar uma unidade política", disse o ministro, referindo-se à postura dos países europeus de não seguirem a proposta italiana, que anunciou no mês de março que não participaria do evento por não concordar com o texto da declaração preliminar, divulgado antes da conferência.
Outros países, como os Estados Unidos, também se negaram a participar da conferência aberta em Genebra, mas não houve um consenso entre os membros do bloco europeu.
A reunião, conhecida como Durban II por ser a continuação da conferência realizada na cidade sul-africana Durban em 2001, foi iniciada na última segunda-feira e vai até esta sexta-feira.
Para Frattini, os europeus tinham a responsabilidade de evitar que o encontro se transformasse "em uma ocasião para lançar mensagens de intolerância e ódio em relação a Israel".
- Mesmo na política externa, nem tudo é negociável - observou o chanceler, que disse apoiar a criação de uma nova conferência sobre o racismo, "sem vínculos" com o evento de Genebra ou com o de Durban.
Na segunda-feira, primeiro dia do encontro, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se tornou o centro das discussões, ao fazer um polêmico discurso, no qual chamou Israel de "regime racista cruel e repressor", o que provocou vaias por parte de alguns dos presentes à reunião e fez com que delegações abandonassem o encontro.