Agência ANSA
PORT OF SPAIN - O primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, anunciou que os 34 países que participaram da 5ª Cúpula das Américas, encerrada hoje, domingo, em Port of Spain, não chegaram a um consenso sobre o documento final do encontro.
Segundo o premier, "muitos dos governantes" que estiveram na reunião "expressaram reservas sobre alguns pontos do documento".
Manning explicou, porém, que o quadro de impasse é "compreensível, já que é muito difícil [chegar a um acordo] em uma negociação" que envolveu tantos países.
- O documento que emerge é um documento de compromisso, que teve o aval de alguns, mas não de outros - justificou. - Concordamos em adotar este documento, pois com isso reconhecemos que não há unanimidade e sim um grande consenso sobre estas questões importantes.
Embora tenha sido negociada durante os últimos oito meses, a declaração gerou polêmica durante a última semana, quando os países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), liderados pela Venezuela, anunciaram um veto conjunto.
O bloco regional, formado também por Bolívia, Nicarágua, Dominica, Honduras e Cuba, reuniu-se na quinta e na sexta-feira na cidade de Cumaná, nordeste da Venezuela, e definiu o rascunho do texto como "inaceitável e insuficiente".
Como justificativa, dois motivos principais foram apontados. Que o documento não trazia entre seus pontos as necessárias respostas para a atual crise econômica internacional e, principalmente, não fazia menção à ausência cubana dos fóruns de debate multilaterais e ao embargo imposto ao país há décadas pelos Estados Unidos.
A ilha caribenha ficou de fora da 5ª Cúpula das Américas, a exemplo do que já havia acontecido em todas as outras edições do evento, criado em 1994, porque foi suspensa da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962, depois que o regime de Havana declarou seu alinhamento à União Soviética.
Já em Port of Spain, ontem, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reiterou seu veto, no qual foi acompanhado por Bolívia e Nicarágua. Desta vez, Chávez indicou que o conteúdo da declaração estava "deslocado no tempo e no espaço", já que não refletia as necessidades da região, dentre as quais mais uma vez foi mencionado o caso cubano.
Além disso, o mandatário argumentou que não assinaria o documento porque não haveria mais tempo para providenciar as mudanças que o tornariam aceitável.
Mas não foi apenas a resistência de Caracas que comprometeu o tão buscado consenso. Outras questões polêmicas, como o incentivo à produção de biocombustíveis, colocaram em choque as posições de alguns países.
O Brasil, por exemplo, é um declarado entusiasta da ideia de produzir energia a partir deste modelo, mas a Bolívia crê que a prática poderia agravar o problema da escassez de alimentos.