Khaled Yacoub Oweis Reuters, JB Online
SÍRIA -
Encorajados pelos avanços de Barack Obama aos adversários de Washington, sírios pressionam por recomeçar conversações de paz com Israel, conforme têm afirmado diplomatas e analistas políticos.
Os sírios estão percebendo que [o premier israelense Benjamin] Netanyahu não quer um acordo de paz com os palestinos e que ele poderia recomeçar a se reaproximar da Síria como meio de desviar a pressão relatou um diplomata ocidental sênior, semana passada. Eles lidaram com Netanyahu antes. Particularmente, esperam que os americanos tentem salvar sua política no Oriente Médio apoiando objetivos sírios.
Obama enviou duas autoridades seniores a Damasco no mês passado para conversar com a Síria, em uma quebra da política de isolamento que reinava sob a administração de seu predecessor.
George Bush não mostrou entusiasmo pelas conversações indiretas entre Síria e Israel, que foram formalmente suspensas em dezembro depois da ofensiva israelense de três semanas em Gaza.
Sanções
A administração de Bush também expandiu sanções americanas em Damasco e criticou o tratamento dos direitos humanos da Síria, seu papel no Iraque e no Líbano, assim como suas alianças com o Irã e grupos militantes no Oriente Médio.
Uma das autoridades da administração de Obama que visitou Damasco disse que Washington quer ver ímpeto progressivo nas conversações entre Síria e Israel, mas os EUA não se comprometeram a nenhum envolvimento.
A Síria encara o apoio direto dos EUA para negociações como um pré-requisito para um acordo e a melhor garantia de que Israel cumpriria qualquer resolução de paz.
Síria e Israel participaram durante quase 10 anos de negociações diretas supervisionadas pelos EUA que se concentraram nas Colinas de Golã.
Israelenses ocuparam Golã durante a guerra em 1967, desalojando 100 mil moradores sírios do território rico em água. Cerca de 40 mil pessoas agora moram na região, dividido entre colonos israelenses e a restante população síria.
As conversas desabaram em 2000, quando o ex-presidente sírio Hafez al-Assad, pai do atual líder Bashar Assad, recusou uma proposta israelense de se retirar de Golã mas manter uma faixa estreita na costa nordeste do Lago de Galiléia, que Assad considerava território sírio.
Assad definiu a região ocupada de Golã como o território que a Síria segurou no dia 4 de junho de 1967, antes da guerra começar, inclusive a costa nordeste do lago, principal reservatório de água de Israel.
Assad adotou a postura do pai, rejeitando outras definições geográficas, inclusive uma estabelecida pela França colonial e o Reino Unido em 1923 que manteria a Síria longe da água.
Para Assad, Síria e Israel estavam próximos de conseguir ter conversas diretas antes de Israel invadir Gaza, quando Damasco esperava que Israel concordasse em aceitar as fronteiras de Golã baseadas nas demarcações de 1967.