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Defesa em tempos de globalização

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Carlos Pereyra Mele *, Jornal do Brasil

RIO - O gigantesco tsunami que está afetando a economia mundial e que se transformou em uma crise humanitária global nos está ocultando uma das políticas mais importantes que os EUA implementaram para consolidar seu domínio planetário: a gigantesca estrutura militar que vêm desenvolvendo desde o governo de Ronald Reagan.

Os países, seus dirigentes políticos e econômicos, estiveram empenhados nestes últimos dias em ressaltar os resultados da super divulgada reunião do G-20, como se ela fosse uma panacéia que com suas resoluções, abrirá um novo marco nas relações econômicas mundiais. A realidade é que pela posição dos EUA de manter sua hegemonia, o sistema centrista do dólar saiu vitorioso frente aos embates chineses, russos, e de alguns países emergentes. Se preservou a estrutura implementada pelos acordos de Breton Woods e, por isso, chegou-se a resoluções de fachada.

Na prática, essas resoluções não representam a nova realidade econômica mundial. Por causa delas, estes temas e outros se resolverão em novos rounds entre os países que querem uma mudança profunda no sistema financeiro econômico, e seguramente seguiremos sofrendo grandes e profundos altos e baixos e recomendações econômicas mundiais dos gurus econômicos que estabelecem datas para o fim da recessão e que, não podemos esquecer, são os mesmo que não acertaram anunciando a crise à tempo.

Devemos lembrar os conceitos dos que geram as ideias dos EUA e que pensaram como deveriam os Estados Unidos basear sua estratégia para manter sua hegemonia neste século 21 por meio de três grandes estratégias: o manejo das finanças mundiais, o domínio das tecnologias de ponta e o desenvolvimento de uma super potência militar planetária que nunca havia existido até agora. Para fazer isso, os gastos de defesa dos EUA superaram em mais de 50% os gastos de defesa de todos os países do mundo.

Lembremos que um dos principais pontos da campanha de Obama para chegar à Presidência foi a redução dos gastos militares e o controle dos fundos destinados a cobrir os maus negócios dos especuladores, tema este último que não se cumpriu, e, além disso, foi ampliada a ajuda econômica ao sistema especulativo yankee.

No que diz respeito ao tema militar, neste momento pouco ou nada se comenta e ninguém se lembra das promessas de campanha, mas, na quinta-feira, o presidente Obama pediu ao Congresso dos EUA US$ 83.400 em fundos extras para financiar a guerra no Iraque e Afeganistão este ano. O pedido, formulado para cobrir o resto do ano fiscal de 2009, agregaria esta soma aos mais de US$ 822 milhões que o Congresso aprovou desde setembro de 2001 para financiar as guerras. Outro ponto que deve enquadrar-se na estratégia americana é a decisão de Washington de aumentar a presença e responsabilidade das tropas da Otan no Afeganistão e no Leste Europeu, e o recente acordo com a França, que se integra a Otan. As guerras futuras gozam de boa saúde.

Os países que participaram do G-20 e que quiserem mudar

as regras do jogo devem se preparar para novos encontros e, seguramente, não deveriam descartar o assunto militar.

Isso nos leva a traçar a problemática da defesa em nossa América do Sul, ante os novos paradigmas mundiais e com a conformação de bloqueios econômicos continentais que estão em progresso.

Devemos considerar que o controle e desenvolvimento em mísseis de longo e médio alcance, porta-aviões, equipamentos de guerra eletrônicos e sistemas de satélite permitem que uma nação se defenda e neutralize possíveis conflitos contra ela.

E, se por razões variadas não se pode desenvolver esse tipo de complexo, a infraestrutura de inteligência deve ser mantida a qualquer custo porque nela está a possibilidade de contar com informações que permitam estar alerta perante a nova ameaça que cada vez está cada vez mais globalizada.

* Analista político argentino