Patricia Rondon, REUTERS
CARACAS - A oposição na Venezuela acusou o presidente Hugo Chávez de gastar dinheiro governamental e de reprimir protestos na campanha para ampliar sua permanência no poder por pelo menos mais uma década.
Chávez visitou favelas de cidades pobres nesta sexta-feira, último dia de campanha antes de um referendo que pode pôr fim ao limite de reeleição do presidente e de outros políticos.
A vitória na votação de domingo permitirá a Chávez seguir na presidência enquanto continuar a vencer eleições. As pesquisas dão a ele uma pequena vantagem após semanas de intensa campanha que, afirmam a oposição e estudantes contrários ao governo, foi distorcida pelo abuso de poder.
Caminhões da estatal petrolífera PDVSA foram usados na campanha e funcionários públicos reclamam com frequência em conversas privadas que são obrigados a participar de comícios de Chávez.
Partidos de oposição afirmam que o Conselho Nacional Eleitoral tem atrasado a aprovação de anúncios de campanha e afirmam que tiveram negadas as permissões para diversas passeatas.
- É um abuso total - disse o líder estudantil Bernardo Pulido a jornalistas estrangeiros nesta sexta-feira. - Eles rejeitaram oito permissões pedidas por nós.
Uma marcha da oposição marcada para esta sexta-feira foi cancelada pois não recebeu a papelada necessária.
Popular pelos seus elevados gastos sociais, Chávez foi imbatível nas urnas por vários anos, mas perdeu na última tentativa de acabar com os limites para a reeleição em 2007.
A oposição ganhou terreno em eleições estaduais e municipais no ano passado, e Chávez pode perder novamente caso o comparecimento às urnas no domingo seja baixo e os indecisos se afastem dele.
Apesar das reclamações, líderes da oposição apelaram ao comparecimento às urnas de seus simpatizantes e afirmaram que estarão em cada uma das sessões eleitorais para fiscalizar a apuração dos votos.
- Nossa organização está preparada para vigiar - disse Enrique Marquez, vice-presidente do partido oposicionista Un Nuevo Tiempo.