Jornal do Brasil
DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS - O partido centrista Kadima, da chanceler Tzipi Livni, foi ligeiramente mais votado que o centro-direita Likud de Benjamin Netanyahu, nas eleições parlamentares ocorridas nesta terça-feira em Israel, de acordo com pesquisas de boca-de-urna divulgadas por emissoras de TV israelenses. É desta eleição que sairá o nome do premier que comandará o país que acaba de sair de um conflito militar com palestinos na Faixa de Gaza e que ainda sente os efeitos dos escândalos de corrupção
que levaram à renúncia do primeiro-ministro Ehud Olmert, em setembro do ano passado.
Segundo pesquisas, o Kadima obteria 30 assentos no Parlamento contra 28 do Likud. O terceiro mais votado seria o partido de extrema-direita Israel Beitenu, do candidato Avigdor Lieberman, com 14 assentos, seguido pelo partido Trabalhista de Ehud Barak.
Entretanto, por contar com o apoio da extrema-direita e dos partidos religiosos, Netanyahu parece estar em uma melhor posição para formar um governo de coalizão e se tornar primeiro-ministro. Os partidos mais linha-dura vão conquistar 66 dos 120 assentos do Parlamento, segundo pesquisas.
Nos próximos dias, o presidente Shimon Peres irá perguntar ao líder que ele acreditar ser o mais capaz de formar uma coalizão se aceita montar o governo.
Apesar do tempo frio e chuvoso e da expectativa de boicotes, cerca de 60% dos eleitores israelenses compareceram às urnas do país em um número 2,5% maior do que o registrado no pleito de 2006.
O menor índice de participação se concentrou nas aldeias árabes de Israel, onde movimentos políticos islâmicos e nacionalistas chamaram a população a boicotar as eleições.
Em um incidente que evidencia a crescente tensão entre judeus e árabes, a polícia impediu rapidamente um enfrentamento entre o parlamentar ultradireitista Arieh Eldad e residentes de Um al-Fahm, que exigiam, durante visita, sua saída da cidade árabe.
A campanha foi menos animada do que em pleitos anteriores, fato que alguns atribuíram à recente guerra em Gaza, que arrefeceu os ânimos e levou à suspensão dos comícios durante várias semanas.
Na Faixa de Gaza, palestinos se disseram certos de que nada mudaria qualquer que fosse o vencedor. Na Cisjordânia eram poucos sinais de esperança de que o resultado poderia reavivar o processo de paz.
Líderes do Hamas querem conhecer os resultados das eleições legislativas para saber se poderão negociar uma trégua duradoura na Faixa de Gaza, segundo Ussama Hamdan, um dos representantes do movimento islâmico no Líbano.
Se a oposição (Netanyahu) ganhar, não creio que o governo concluirá o acordo. Se o governo atual ganhar, poderia conclui-lo.