População de Gaza não antevê fim para crise humanitária

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GAZA - O filho de 10 anos de Etaf Abdel-Rahman passou quatro horas numa fila para conseguir oito pãezinhos, insuficientes para alimentar as 15 pessoas que se aglomeram no apartamento dela em Gaza.

Todos os dias, quando Israel faz uma pausa de três horas nos seus ataques, muitos palestinos correm às mercearias e padarias para tentar se abastecer. Mas agentes humanitários internacionais dizem que grande parte da população teme sair às ruas e enfrenta uma grave escassez de mantimentos.

Muitos mercados estão vazios, e as mercearias no populoso bairro de Al Nasser, no centro da Cidade de Gaza, têm apenas limões e cebolas para vender, contou Abdel Rahman, 50 anos, por telefone.

Carne, frango, legumes e frutas são produtos escassos, e os preços dispararam devido ao conflito, de acordo com ela.

- Estamos sem eletricidade há 14 dias consecutivos. Durante o curto período do cessar-fogo, as pessoas correm para o hospital Shifa ou para as mesquitas que têm gerador, para carregar seus celulares - disse.

Barbara Conte, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos, uma das agências da ONU que presta assistência alimentar aos palestinos, disse que é dificílimo distribuir a ajuda, porque as pessoas têm medo de ir até os centro de entrega. 'Por isso apelamos por um cessar-fogo imediato', disse ela.

A Faixa de Gaza vive sob sanções internacionais contra o grupo islâmico Hamas, que controla o território, e sob um rígido bloqueio econômico por parte de Israel.

O contrabando de mantimentos através de túneis vindos do Egito preenche parte das necessidades, junto com a ajuda humanitária oficial, mas a ofensiva israelense, iniciada em 27 de dezembro, praticamente interrompeu a rota de abastecimento.

As autoridades dizem que a pausa diária de três horas, adotada por Israel na semana passada, é insuficiente para permitir a distribuição da ajuda humanitária.

Israel autoriza a entrada de alimentos, remédios e outros itens essenciais em caminhões das agências humanitárias, mantendo a prática habitual desde o fim da ocupação do território, em 2005.

John Ging, diretor de operações da UNRWA (outra agência da ONU) em Gaza, disse que cerca de cem caminhões entram por dia em Gaza, mas que isso é insuficiente para alimentar 1,5 milhão de habitantes do território. Ging disse que seriam necessários 500 caminhões diários.