Agência ANSA
ROMA - O embaixador do Brasil na Itália, Adhemar Gabriel Bahadian, foi chamado nesta quarta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália para prestar esclarecimentos sobre a decisão, anunciada ontem pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder asilo político ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em seu país.
O embaixador foi convocado pelo secretário-geral do Ministério italiano, Giampiero Massolo, por instrução do chanceler Franco Frattini.
Em nota, o governo italiano afirmou ter ressaltado, junto ao diplomata brasileiro, a "unânime indignação" de todas as forças políticas parlamentares do país ante a decisão, assim como da opinião pública e dos familiares das vítimas dos crimes atribuídos a Battisti.
Em nome das autoridades de seu país, Massolo manifestou "surpresa e amargura" e reiterou um "firme chamado às autoridades brasileiras para que, em respeito aos procedimentos internos" italianos, a decisão possa ser reconsiderada.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Itália já havia enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um comunicado pedindo a ele que reveja a decisão.
No texto, a Chancelaria define Battisti como um "terrorista responsável por gravíssimos crimes que nada têm a ver com o status de refugiado político".
"A Itália faz um apelo ao presidente Lula para que reveja todas as iniciativas que podem promover, no quadro da cooperação judiciária internacional na luta contra o terrorismo, uma revisão da decisão judiciária adotada", diz a nota.
O italiano, de 54 anos, foi militante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo na década de 70, e é acusado de quatro assassinatos cometidos na Itália entre 1977 e 1979. Desde 2007, está preso no Brasil.
Ontem, Genro outorgou o status de refugiado político a Battisti, negando assim sua extradição, por entender que existe um "fundado temor de perseguição política" contra ele na Itália.