Jornal do Brasil
GAZA - No dia em que Israel intensificou as operações contra o Hamas em Gaza, tropas israelenses foram alvos de disparos na fronteira com a Jordânia, mas não houve feridos, segundo o Exército de Israel. No vizinho, que assinou um tratado de paz com Israel em 1994, a maioria dos 5 milhões de habitantes tem origem palestina. Na terceira fase da ofensiva que já dura 19 dias, as forças israelenses chegaram mais perto do coração da cidade de Gaza.
Tanques israelenses entraram em uma região residencial da Cidade de Gaza, enquanto soldados tentavam remover os militantes do Hamas de telhados e ruas. A operação no bairro de Tel Hawwa foi a incursão mais profunda realizada até o momento por Israel, que cercou a cidade costeira de 400 mil habitantes. Segundo o tenente-geral Gabi Ashkenazi, chefe do Estado-maior das Forças de Israel, apesar de terem conseguido atingir o Hamas e sua infraestrutura, ainda há trabalho pela frente .
Soldados israelenses e militantes palestinos se enfrentaram nas ruas da Cidade de Gaza. Autoridades de inteligência das Forças de Defesa Israelense informaram ao jornal Haaretz que militantes do Hamas têm se vestido com uniformes israelenses na tentativa de realizar atentados suicidas entre as tropas de Israel na Faixa de Gaza.
Após quase 20 dias de conflito, mais da metade dos 952 mortos na Faixa de Gaza são mulheres, crianças e idosos. De acordo com o chefe dos serviços de emergência em Gaza, Muawiya Hassanein, entre os mortos estão pelo menos 280 crianças, 92 idosos e 97 mulheres.
Imagens da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza nas últimas semanas mostraram que, além da alta tecnologia e do poderio militar israelense superior ao Hamas, os militares estariam usando bombas de fósforo branco e segundo relatos de médicos um novo artefato, o Explosivo de Metal Inerte Denso (Dense Inert Metal Explosive Dinme), também considerado nocivo contra a população. Autoridades israelenses, no entanto, negaram as denúncias de que o Exército esteja usando bombas de fósforo branco. Os EUA foram obrigados a cancelar a entrega de armamentos que deveriam deixar em um porto grego em direção a um depósito americano em Israel, devido a objeções de Atenas.
Nesta terça-feira, o Egito aumentou a pressão sobre os representantes do Hamas que estão no Cairo a aceitar um cessar-fogo com Israel. O líder político do Hamas exilado em Damasco, Khaled Mashaal, recebeu o conselheiro de diplomacia do governo turco, Ahmet Davutoglu, pela terceira vez, também para ouvir propostas.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, deve chegar nesta quarta-feira à região, onde deve conversar com autoridades israelenses na quinta-feira. Ban Ki-moon, que deve passar por Jordânia, Israel, Cisjordânia, Turquia, Líbano, Síria e Kuwait, garantiu que insistirá nas reuniões diplomáticas entre israelenses e árabes, além de defender que uma resolução pelo cessar-fogo imediato aprovada pelo Conselho de Segurança seja respeitada integralmente .
Acusações
Apesar de a chanceler israelense, Tzipi Livni, ter declarado que a ofensiva militar na Faixa de Gaza serve tanto a interesses dos palestinos quanto dos israelenses, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas acusou o Estado hebreu de tentar aniquilar o povo palestino.