Carla Knoplech, JB Online
DA REDAÇÃO - As imagens de crianças feridas e de civis sofrendo com os intensos bombardeios da ofensiva israelense na Faixa de Gaza têm chocado o planeta, mas só pôde-se ter a real noção do genocídio infantil nesta guerra. A ONU divulgou um relatório mostrando que 42% das 780 vítimas contabilizadas até agora são mulheres e seus filhos pequenos isso significa que o conflito já deixou 257 crianças mortas e 1.080 feridas.
O Hamas prega a destruição de Israel na sua carta de fundação e quer a desocupação dos territórios para que seja construído um Estado palestino. Israel acusa o grupo de cinicamente aproveitar-se dos civis de Gaza e de usá-los como "escudos humanos". Militares divulgaram imagens que mostram os militantes atirando morteiros dos telhados de casas e mesquitas.
O porta-voz do governo israelense no Brasil, Raphael Singer, defende que o Hamas é o maior inimigo da paz nesse conflito.
Essa técnica é velha do Hamas, temos fotos e vídeos mostrando como eles arrastam civis para locais que serão bombardeados. Eles sabem que se lançarem foguetes de um determinado lugar, Israel vai revidar nesse mesmo lugar e, "coincidentemente", eles sempre acabam atirando de regiões civis. O Hamas quer mortos civis. Morrem militares, mas eles não informam todas as baixas. Querem que só apareça o número de mortos civis afirma Singer.
O porta-voz conta que, em 2001, quando um importante membro do Hamas foi avisado de que sua casa seria alvo de um bombardeio pelo Exército israelense, o alvo não abandonou a casa e também não avisou para nenhuma de suas três mulheres que moravam com ele do que iria acontecer.
É esse o tipo de pensamento deles, foi essa mesma pessoa que mandou o filho para um atentado suicida. O Hamas está deixando os seus cidadãos morrerem. Em guerra não existe ofensiva mais ou menos agressiva, estamos fazendo de tudo para ter um diálogo. Até agora, só a Autoridade Nacional Palestina deu abertura finalizou o porta-voz.
O ministro de Assuntos Exteriores da Itália, Franco Frattini, também acusou ontem o Hamas de usar crianças e civis como "escudos humanos", diante da incursão e dos bombardeios israelenses em Gaza.
O Hamas não pode ser considerado um interlocutor já que eles são o problema do conflito que explodiu na Faixa de Gaza. Os únicos que podem convencer o Hamas a deixar as armas são as autoridades egípcias, que até agora não conseguiram isso declarou Frattini.
O ministro anunciou que, depois da posse da nova administração americana, começarão a ser organizadas sessões de trabalho sobre a crise no Oriente Médio no Grupo dos Oito, cuja presidência está com a Itália.
Outro lado
O professor titular da Unicamp, Mohamed Habib, árabe de origem egípcia que veio morar no Brasil há 36 anos, defende a lógica de atuação do Hamas e não acredita em "escudos humanos" usados por eles, e sim que o grupo radical atua como escudo em defesa da população.
Temos de entender a questão do Hamas de um jeito mais amplo, estamos falando de um grupo popular que não tem Exército, Forças Armadas, não tem tanque de guerra nem helicóptero. Eles são uma forma de resistência que se organizou e formou um partido, a presença deles no Estado palestino é legal. É um desequilíbrio de forças diz Habib.
Segundo o professor, Israel ocupa 78% do território total que teria de ser dividido com o Estado palestino, mas na realidade ele deveria ocupar apenas 53%:
Não posso dizer que o Hamas não usa o civil porque, na verdade, o Hamas é civil. O Hamas é como qualquer irmão, qualquer neto, eles não têm abrigo para esconder a população. Chamar o grupo de terrorista porque defende a sua própria comunidade é uma distorção dos fatos. Se Israel avisa onde vai bombardear e quando é para assustar a população civil isso é crime de guerra, eles não têm o direito de telefonar para as pessoas e as mandarem sair. O plano de Israel é eliminar as crianças de hoje porque, para eles, elas serão os terroristas de amanhã.