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Raúl quer liberar presos para ter melhor diálogo com EUA

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Karla Correia, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Já distante da fase de abalo diplomático nas relações entre Cuba e Brasil por conta das duras críticas tecidas pelo governo daquele país à política brasileira de biocombustíveis, os presidentes cubano, Raúl Castro, e Luiz Inácio Lula da Silva defenderam nesta quinta-feira o fim do embargo econômico à ilha caribenha. Castro chegou a mencionar a possibilidade de libertação de presos políticos como um gesto do governo cubano para permitir o diálogo com o futuro governo do presidente Barack Obama.

Raúl Castro, contudo, aproveitou para cobrar gestos semelhantes do presidente eleito.

Os prisioneiros de que tanto se fala, querem soltá-los? Nos digam amanhã e vamos mandá-los com família e tudo disse o líder cubano que, depois, fez referência aos cinco cidadãos cubanos mantidos presos nos EUA desde 98 por acusação de espionagem e conspiração.

Os cinco são tratados como heróis pelo regime cubano.

Devolvam nossos heróis cobrou Castro. Este precisa ser um gesto de ambas as partes.

Engajamento

Em discurso durante almoço oferecido ao chefe de Estado cubano, Lula defendeu a revogação do ato que, em 1962, expulsou Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA) e disse esperar a adesão de outros países numa campanha pela suspensão do embargo ao país.

Em algum momento alguém tem de pedir desculpas pela injustiça histórica que se cometeu contra Cuba. Eu não tive vergonha de ir à África me desculpar pelos 300 anos de escravidão dos negros no Brasil disse Lula, depois do evento.

Segundo o presidente, a expectativa é de que, com o governo de Obama, a política externa dos EUA seja mais flexível. Na fase de transição entre governos, Obama já mencionou a intenção de aliviar restrições a viagens e remessas de dinheiro à ilha. Condiciona o fim do embargo, entretanto, a um processo de democratização em Cuba.

Mesmo já tendo sinalizado boa vontade em retomar diálogo com os EUA, Castro questionou a necessidade de gestos políticos do governo cubano em direção aos EUA.

Há de se perguntar por que e para que ainda existe o embargo a Cuba, no cenário internacional de hoje ponderou.

Raúl apoiou a criação de um organismo multilateral unindo países da América Latina e do Caribe como forma de fortalecer o relacionamento político e comercial entre essas nações. O encontro entre os países latino-americanos realizado esta semana na Costa do Sauípe (BA) foi considerado o primeiro passo para a implantação desse organismo.

Nós, latino-americanos, somos maiores de idade. Podemos ter voz própria e dizer aos nossos vizinhos do norte, do nosso continente, como a Europa, a Ásia e ao mundo inteiro, que podemos dar passos que conduzam a essa situação disse o líder cubano, agradecendo o apoio brasileiro ao fim do embargo.