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JERUSALÉM - As eleições antecipadas em Israel podem fazer mais do que matar as esperanças de George W. Bush por um acordo de paz neste ano com os palestinos. A votação pode também colocar no poder um governo de direita com uma postura hostil às negociações intermediadas pelo futuro ocupante da Casa Branca.
O fracasso da ministra das Relações Exteriores e líder do partido governista, Tzipi Livni, em formar uma nova administração deu início à contagem regressiva para uma provável eleição em fevereiro e terá o efeito imediato de esfriar ainda mais as conversações de paz que o presidente norte-americano esperava concluir para melhorar seu legado, abalado pela guerra no Iraque.
Mas diplomatas e analistas disseram que as eleições podem ter implicações muito além do mandato de Bush, citando pesquisas de opinião que deram uma liderança folgada para o partido de oposição Likud, do ex-premiê Benjamin Netanyahu. Ele criticou muitas das propostas de paz que Livni e Ehud Olmert tinham feito com o apoio dos Estados Unidos.
- Estamos profundamente preocupados. Isso pode significar o fim do processo diplomático, e não apenas no curto prazo - disse um diplomata ocidental com experiência, falando em condição de anonimato para não interferir na política israelense.
Um assessor sênior do presidente palestino Mahmoud Abbas previu que a antecipação das eleições em Israel colocaria o processo de paz 'em banho-maria por um ano, pelo menos'.
Ainda que tenha havido poucos sinais claros de progresso desde que Bush ajudou a relançar as conversas há quase um ano em uma conferência em Annapolis, Maryland, porta-vozes de Olmert e de Livni afirmaram que os políticos vão trabalhar a favor do processo até o dia da eleição e além, caso o partido centrista Kadima vença.
Os dois principais candidatos à Presidência dos Estados Unidos declararam apoio às negociações, mas os palestinos e muitos israelenses vêem mais probabilidade de que o candidato democrata Barack Obama pressione Israel a fazer concessões, em relação a seu oponente, o republicano John McCain.
Obama criticou Bush e seu antecessor, Bill Clinton, por esperar muito em seus mandatos de oito anos antes de pressionar com força pela paz no Oriente Médio.
- Há o consenso de que o processo de Annapolis deva continuar - disse Ramiro Cibrian-Uzal, enviado da União Européia a Israel.
- Qualquer que seja o resultado que se obtenha, é muito importante que ele seja protegido, salva-guardado e entregue - disse.