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PORTO PRÍNCIPE - Dezenas de ex-soldados deixaram na quarta-feira um antigo quartel no norte do Haiti onde passaram 24 horas entrincheirados para exigir a recriação do Exército e o pagamento de 14 anos de soldos atrasados.
O incidente nas instalações militares desativadas de Cap-Haitien, segunda maior cidade do país, terminou pacificamente. Não está claro se um outro protesto semelhante, na cidade de Ouanaminthe, na fronteira com a República Dominicana, continua.
A polícia dizia estar pronta para invadir o quartel de Cap-Haitien, mas os manifestantes afinal se entregaram e foram levados de ônibus para uma delegacia.
Na noite de terça-feira, simpatizantes civis dos ex-soldados apedrejaram tropas da ONU e policiais haitianos que haviam ocupado posições em torno dos prédios ocupados.
Atos de desobediência civil desse tipo costumavam ser habituais neste miserável país, levando inclusive à queda de governos -- como em 2004, quando ex-soldados e bandidos comuns promoveram uma rebelião que levou à fuga do presidente Jean-Bertrand Aristide.
Desde aquela época, tropas internacionais sob o comando do Brasil tentam impor a ordem.
O líder dos ex-soldados em Cap-Haitien, Milot Laguerre, disse que o grupo decidiu se render voluntariamente por causa dos seus seguidores civis.
- Nós, militares, estamos prontos para morrer em vez de nos render, porque estamos no nosso direito, mas não queremos colocar em perigo a vida dos civis que nos acompanham, disse ele a uma rádio.
Aristide dissolveu o temido Exército haitiano em 1995, durante seu primeiro mandato. Ex-soldados consideram que a medida foi ilegal, e periodicamente reivindicam o pagamento dos soldos atrasados.
- O Exército existe na atual Constituição, mas as autoridades se recusam a respeitá-la, disse Laguerre.