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ESTADOS UNIDOS - O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, fez na segunda-feira um dramático apelo pelo voto hispânico, lendo uma lista com centenas de nomes de imigrantes ilegais que morrem a cada ano tentando cruzar a fronteira entre México e EUA.
- María Hernández Pérez era a número 93. Tinha quase 2 anos. Tinha cabelo castanho espesso e olhos cor de chocolate - disse McCain em discurso à ONG latina Conselho Nacional de La Raza, em San Diego, na Califórnia.
- Kelia Velázquez-Gonzales, 16 anos, levava uma Bíblia na mochila. Era o número 109. Fulano de Tal, número 143, morreu com um rosário envolto no pescoço. Seus olhos estavam arregalados - relatou McCain.
O combate à imigração ilegal é um dos principais temas da campanha eleitoral deste ano nos EUA. Tanto McCain quanto o democrata Barack Obama buscam um discurso que agrade tanto ao eleitorado conservador, que exige fronteiras mais seguras, como aos hispânicos, que são a minoria que mais cresce no país e já compõem 9 por cento do eleitorado.
Depois do discurso de segunda-feira, os hispânicos do Arizona, região com forte tráfego de imigrantes ilegais, se dividiram a respeito de McCain.
- Se fossem cavalos morrendo todo dia na fronteira, (o governo) estaria fazendo algo a respeito - disse Lionel Urcadez, dono de um bar a poucos metros da enferrujada cerca fronteiriça em Naco. Ele gostou do discurso de McCain.
- São seres humanos, estão tentando melhorar de vida. John McCain se interessa por eles, e para mim isso é que importa - completou.
Já o vice-prefeito da cidade fronteiriça de Douglas, Bob Fernandez, expressou preocupações com as divisões que o tema da imigração gera entre os republicanos.
- Somos muito gratos aos sentimentos deles... Minha única preocupação é que, se eleito, ele estará cercado por pessoas de seu partido que não acreditam nisso - disse Fernandez, que simpatizou com os republicanos, mas atualmente está mais inclinado para os democratas.
Obama, que propõe uma reforma abrangente para liberalizar a imigração, lidera as pesquisas entre os hispânicos, em grande parte porque conseguiu herdar muitos eleitores que nas primárias haviam optado por Hillary Clinton.