Agência AFP
ATENAS - Especialistas de várias agências da ONU manifestaram nesta quinta-feira, em Atenas, sua preocupação de que as mudanças climáticas possam acelerar as migrações no mundo, afetando 200 milhões de pessoas até 2050.
- O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estima que 24 milhões de pessoas no mundo já imigraram estimuladas por fatores ambientais - declarou a ministra grega das Relações Exteriores, Dora Bakoyannis, ao abrir a conferência sobre mudanças climáticas.
O secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Michel Jarraud, afirmou por sua vez que a "degradação qualitativa e quantitativa" da água potável criará "novas tensões", com uma diminuição da produção agrícola em algumas regiões e o aumento das migrações.
O subdiretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA), John Powell, informou que 2 bilhões de pessoas vivem atualmente em zonas áridas, 90% delas em países em desenvolvimento onde "os agicultores precisam alimentar suas famílias dia após dia".
Ao mesmo tempo, o diretor do Instituto para o Meio Ambiente e a Segurança Humana da ONU, Janos Bogardi, apontou que as migrações poderiam somar 50 milhões de pessoas em 2010, 200 milhões em 2050 e mais de 700 milhões a longo prazo.
- A desertificação e o aumento do nível dos oceanos provocarão deslocamentos - alertou Bogardi.
Deve-se agir sobretudo para "desafogar os movimentos migratórios", continuou.
- A migração é tratada do ponto de vista do Norte, devemos mudar isso e nos colocarmos no lugar das pessoas do Sul - disse.