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WASHINGTON - O democrata Barack Obama disse nesta sexta-feira que realizará ajustes no tom da sua campanha à Presidência dos Estados Unidos, lembrando a opinião pública de suas origens humildes, após concluir que a derrota na primária da Pensilvânia foi provocada em parte por sua incapacidade em conquistar o eleitorado proletário.
Obama, que lidera a disputa pela indicação democrata à Casa Branca, já havia perdido para Hillary Clinton em março em outro Estado importante, Ohio.
- Sem dúvida uma campanha tem de se ajustar continuamente - disse Obama a jornalistas em Indiana, um dos dois Estados que votam no próximo dia 6.
- Vocês sabem que esta tem sido uma campanha longa. O que funcionava bem há três meses, se você está fazendo exatamente a mesma coisa agora, pode não funcionar tão bem - disse Obama, que acumulou uma série de vitórias em fevereiro antes de tropeçar em Ohio e na Pensilvânia.
Ainda há nove Estados ou territórios por votar até o dia 3 de junho. A convenção nacional do partido ocorre em agosto, e o vencedor enfrenta o republicano John McCain nas urnas em novembro.
Em lugares como Ohio e Pensilvânia, Obama, que é negro, tem dificuldades junto ao eleitorado branco e operário. Na Pensilvânia, ele foi surrado por Hillary entre os brancos de baixa renda e sem educação superior.
Durante a campanha no Estado, ele afirmou que moradores de pequenas cidades são "amargurados" por causa das dificuldades econômicas, o que levou Hillary e McCain a chamarem o rival de elitista e alienado.
- Acho que uma das coisas que vamos ter de fazer durante as próximas semanas é simplesmente lembrar as pessoas sobre de onde eu venho - disse Obama, que foi criado pela mãe solteira e pelos avós e freqüentou a universidade graças a uma bolsa.
- Fui criado com bem menos vantagens do que qualquer um dos meus adversários restantes - afirmou.
Fazendo campanha em Bloomington, Indiana, Hillary questionou o compromisso de Obama para combater interesses poderosos, lembrando que ele votou a favor de uma lei energética que tinha o apoio do impopular vice-presidente Dick Cheney.
- As ações falam mais alto que palavras. Quando chegou a hora de se erguer contra as empresas de petróleo, se erguer contra a lei energética de Dick Cheney, meu adversário votou a favor e eu votei contra. A lei tinha bilhões de dólares em brindes às empresas de petróleo - afirmou.