Israel e Emirados Árabes assinam acordo diplomático

Os governos de Israel e dos Emirados Árabes Unidos firmaram um acordo de normalização total das relações diplomáticas nesta quinta-feira (13). A finalização do pacto contou com a intermediação dos Estados Unidos e será um trunfo para o presidente Donald Trump em vista das eleições deste ano.

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TRUMP ANUNCIOU ACORDO DIPLOMÁTICO ENTRE ISRAEL E EMIRADOS ÁRABES (Foto: Epa)

"Esse histórico acordo diplomático irá avançar a paz no Oriente Médio e é um testemunho para a diplomacia ousada e a visão dos três líderes, e a coragem dos Emirados Árabes Unidos e de Israel de fechar um novo pacto que irá desbloquear o grande potencial da região. Todos os três países enfrentam desafios comuns e se beneficiarão mutuamente dessa conquista histórica", diz um documento oficial publicado por Trump.

O texto ainda afirma que representantes dos governos de Israel e dos EAU irão fazer uma série de encontros bilaterais "nas próximas semanas" para diversos setores, incluindo "investimentos, turismo, voos diretos, telecomunicações, tecnologia, saúde, cultura, meio-ambiente, o estabelecimento de embaixadas recíprocas, e outras áreas de benefícios mútuos".

Como condição para a assinatura do documento, o premier israelense, Benjamin Netanyahu, concordou em "suspender sua declaração de soberania" em áreas na Cisjordânia e na Palestina, alvo de constantes crises no Oriente Médio.

As anexações e o estabelecimento de assentamentos em áreas pertencentes aos palestinos eram uma das bandeiras eleitorais de Netanyahu e, após o acordo com o opositor Benny Gantz, foi a prioridade nos primeiros dias do novo governo de entidade. O plano deveria ter entrado em uma nova fase mais agressiva em 1º de julho, mas por conta do avanço da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) ele havia sido suspenso.

O documento conjunto também fala sobre a questão sanitária, destacando que os dois países do Oriente Médio vão "expandir e acelerar, imediatamente, a cooperação no que diz respeito ao tratamento e o desenvolvimento da vacina para o coronavírus".

"A normalização das relações e uma diplomacia pacífica unirá dois dos mais importantes parceiros dos EUA", diz ainda o documento.

Esse é apenas o terceiro acordo de Israel com seus vizinhos no Oriente Médio - anteriormente, apenas Jordânia (1994) e Egito (1979) fecharam pactos diplomáticos. No caso dos Emirados, não havia estado de guerra entre as nações, apenas não haviam canais diplomáticos formais entre as partes.

O príncipe herdeiro dos EAU, Mohamed Bin Zayed, que liderou as negociações de seu país, confirmou que o acordo foi fechado hoje após um telefonema entre os três líderes.

"Ao longa de uma conversa telefônica com o presidente Trump e o premier Benjamin Netanyahu foi firmado um acordo para parar novas anexações do território palestino. Os Emirados e Israel concordaram em cooperar e estabelecer um mapa de ações para a instituição das relações bilaterais", disse Bin Zayed.

Conforme a mídia israelense, no entanto, a aceleração do anúncio foi evidente. Netanyahu estava em reunião com o comitê de combate à pandemia e deixou o encontro às pressas para ir ao seu Gabinete. O premier disse aos presentes que eles saberiam em breve sobre uma "grande notícia".

O anúncio de Trump neste momento também tem um tom político e vem em um momento que sua campanha eleitoral está enfraquecida pela crise sanitária e econômica e com a divulgação da vice na chapa de seu adversário Joe Biden. Kamala Harris estava atraindo toda a atenção política do momento.(Com agência Ansa)