Papa pede fim de sanções internacionais contra países pobres

Maurizio Brambatti/Pool via REUTERS
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Papa celebra Via Crucis na Praça São Pedro (Foto: Ansa)

O papa Francisco defendeu neste domingo (12) de Páscoa o cancelamento de todas as sanções internacionais para permitir que países mais pobres combatam a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que já contaminou cerca de 1,8 milhão de pessoas em todo o mundo e deixou mais de 100 mil mortos.

Ontem (11), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Francisco celebrou a Vigília Pascal que acontece todos os anos na noite anterior à data que na tradição católica marca a ressurreição de Jesus Cristo.

Assim como as outras celebrações da Semana Santa, a missa aconteceu sem a presença de público devido à pandemia do novo coronavírus, que já contaminou quase 1,8 milhão de pessoas em todo o mundo e deixou mais de 100 mil mortos.

Também por conta da pandemia, a cerimônia não teve o tradicional batismo feito pelo Papa na Vigília da Páscoa. Em sua homilia, Francisco pediu que os fiéis "não tenham medo" e continuem com esperança para enfrentar os "dias tristes que vivemos".

"Nesta noite, conquistamos um direito fundamental, que não será tolhido: o direito à esperança. Não é mero otimismo, não é um tapinha nas costas um ou encorajamento circunstancial. É um dom do Céu que não podíamos procurar sozinhos", afirmou.

Jorge Bergoglio ainda instou os fiéis a levarem o "canto da vida" a "cada região da humanidade à qual pertencemos". "Vamos calar os gritos de morte, chega de guerras. Que se interrompa a produção e o comércio de armas, porque precisamos de pão, e não de fuzis. Que parem os abortos, que assassinam vida inocente. Que se abra o coração de quem tem, para encher as mãos vazias de quem é privado do necessário", acrescentou.

Segundo Francisco, é preciso se lembrar de que as pessoas "nascem e renascem de uma chamada gratuita de amor". "Este é o ponto do qual recomeçar, sempre, sobretudo nas crises, nos tempos de prova." Para o Papa, neste ano, se sente mais do que nunca o Sábado Santo, o "dia do grande silêncio".

"Podemos nos espelhar nos sentimentos das mulheres naquele dia. Como nós, elas tinham o drama do sofrimento nos olhos, de uma tragédia inesperada ocorrida rapidamente. Tinham visto a morte e carregavam a morte no coração. A dor era acompanhada do medo. E depois, o temor pelo futuro, tudo a ser reconstruído. A memória ferida, a esperança sufocada. Para elas, era a hora mais escura, assim como para nós", ressaltou.

No entanto, segundo o Papa, as pessoas não devem "colocar uma pedra na esperança" nem "ceder à resignação". "Podemos e devemos esperar. A morte e a escuridão não terão a última palavra", concluiu.(Ansa)



Papa Francisco
Papa celebra Via Crucis na Praça São Pedro