Indígenas velam corpo de líder morto em protestos no Equador

Durante toda a madrugada desta sexta-feira (11), os indígenas concentrados no parque del Arbolito, no bairro de El Ejido, realizaram o velório de um dos manifestantes mortos nos protestos no Equador, Inocencio Tucumbi, 50, dirigente do Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador).

O corpo chegou à Casa de Cultura (localizada no parque del Arbolito, um dos acampamentos indígenas da capital) no fim do dia anterior, e seu caixão foi colocado no palco. Transportar o caixão desde a entrada do anfiteatro até o local onde foi velado foi a última atividade realizada pelos policiais retidos pelos indígenas antes de serem liberados.

"Carreguem nossos mortos, e com respeito", dizia o líder que comandava o ato, com microfone na mão. Dali, os policiais foram levados a outra praça da cidade, onde foram entregues a representantes da ONU (Organização das Nações Unidas). Nenhum deles apresentava ferimentos.

Várias pessoas compareceram à cerimônia na Casa da Cultura. No entanto, na parte exterior, os indígenas já se dissipavam. Havia menos pessoas que na noite anterior e muitos estavam reunidos em grupos, comendo ou armando tendas para dormir.

Alguns familiares de Tucumbi falaram com a imprensa no fim da noite. Seu filho mais velho pediu "justiça com paz" para o pai, enquanto uma sobrinha deu detalhes de como ele foi preso. Teria sido emboscado por oficiais a cavalo durante uma manifestação e recebido múltiplos golpes.

Já em outros bairros da cidade, Quito começava a ganhar ares de normalidade. Por ser uma véspera de feriado -nesta sexta-feira (11) comemora-se o aniversário da independência de Guayaquil-, bares e restaurantes de zonas de classes média e média alta abriram e tiveram bom movimento. O transporte público já se encontrava completamente restabelecido.

A ministra do Turismo, Rosi Prado Holguín, reafirmou no fim da noite que o feriado seria mantido para "não causar mais danos à economia, afetando movimentação de turistas no país". Ela reafirmou que as principais estradas teriam vigilância extra e estariam totalmente liberadas das barreiras e interrupções que os indígenas haviam promovido nos últimos dias.

(Sylvia Colombo - FolhaPress)